Usuários exigem recuperação da PR-218
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá Especial para a Folha 
Comerciantes, moradores, agricultores e caminhoneiros bloquearam a PR-218, ontem, por duas horas, em protesto pelo abandono da rodovia. No trecho de 34 quilômetros, que liga a BR-376 ao trevo de Atalaia e Ângulo (32 km ao norte de Maringá), a estrada está tomada por buracos. A Folha registrou, a caminho do protesto, um caminhão carregado de pasta de mandioca tombado na beira da pista porque o motorista perdeu o controle ao desviar das crateras. Dois tratores retiraram o caminhão do local.
Ao longo da rodovia, os manifestantes distribuíram faixas com inscrições cobrando do governo do Estado os recursos do Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA) e o recapeamento da rodovia. Eles também colocaram galhos de árvores dentro dos buracos para chamar a atenção dos motoristas. O bloqueio ocorreu na entrada de Atalaia. Os manifestantes reclamam do abandono e dos prejuízos causados nos veículos.
O caminhoneiro Adélcio Bolonha, há 12 anos carregando grãos no trecho, disse que já perdeu a conta do número de pneus estourados. Cada pneu novo custa em média R$ 700,00. Se o caminhão está carregado e bate em um buraco, desloca o pneu na hora e daí não tem mais recuperação, contou.
A profissão de motorista também não é fácil para Adalto Balini, que oito vezes por dia transporta estudantes da zona rural utilizando a PR-218 entre Ângulo e Atalaia. O comerciante Odair Zola ressaltou que é grande a preocupação dos pais com o risco de acidentes, principalmente de estudantes que vão para faculdades e colégios no período da noite de Atalaia e Ângulo para Maringá, Nova Esperança e Paranavaí.
Histórias sobre carretas tombadas e acidentes causados pelos buracos, falta de acostamento e de sistema de escoamento de águas pluviais nas rodovias são comuns entre os moradores de Atalaia e Ângulo. O agricultor João Amaral contou que o sobrinho Fábio Ricardo Sicotti saiu anteontem do hospital depois de ficar oito dias internado na Unidade de Terapia Intensiva. Ele foi vítima de um acidente na PR-218. O carro em que estava capotou depois de passar por uma poça dágua na rodovia. Quando chove a água não escoa, esconde os buracos e aumenta o perigo, disse o agricultor.
O superintendente regional do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em Maringá, Heitor Dutra da Silva Filho, disse que são necessários cerca de R$ 3 milhões para o recapeamento da PR-218. Segundo ele, os recursos estão previstos em um programa do Banco de Desenvolvimento Internacional (BID), mas só devem ser liberados ano que vem. Silva Filho garantiu que o DER vai iniciar obras paliativas no local com a operação tapa-buracos e o reperfilamento em concreto asfáltico.


