Usuários driblam taxa de embarque
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Marccio W. Varella 
A Prefeitura de Maringá não tem funcionários suficientes para fiscalizar as empresas de ônibus que recolhem passageiros em pontos clandestinos localizados ao longo da Avenida Colombo, que dá acesso aos municípios situados a leste, oeste e norte de Maringá. O embarque na zona urbana fora da nova rodoviária é proibido por lei, mas não temos gente para fiscalizar. O que nós autorizamos foi o desembarque em qualquer ponto da Colombo, pois muitas vezes o passageiro está em cima da hora do trabalho ou precisa ir a um hospital ou à universidade, justificou Carvalho.
A maioria dos passageiros com destino a cidades situadas a média e longa distância de Maringá embarca nesses pontos para não pagar a taxa de embarque de R$ 1,00, considerada muito cara pelos usuários. É caso da estudante do curso de psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Rosana Calderaro, 23 anos. Ela mora em Mandaguari (33 km a leste de Maringá) e estuda na UEM. Mas pego o ônibus em frente à UEM ou em frente ao Mercadorama para economizar o R$ 1,00 da taxa de embarque. A passagem custa R$ 1,60. Se fosse até a rodoviária, pagaria R$ 2,60, disse.
A enfermeira Vandira Aparecida, 34 anos, também pega seu ônibus em frente ao mercado, distante 500 metros da nova rodoviária. Se eu entrar naquela rodoviária vou pagar R$ 1,00 de taxa de embarque e hoje em dia tenho que economizar senão meus dois filhos não se alimentam, afirmou. É o mesmo caso do aposentado Antônio Gomes da Silva, 64 anos. Meu almoço é um copo de leite. Lá na rodoviária, vou pagar R$ 0,80 pelo leite. O pacotinho de leite custa R$ 0,45. Vou até lá pra quê? Tomo mesmo é no boteco e depois venho pro ponto da Colombo, sem pagar taxa de embarque, contou Silva.
Marcos NegriniComerciante revoltadoNereomar Almeida de Barros: Taxa de embarque é cara e afastou os fregueses da praça de alimentaçãoO preço da taxa de embarque é o principal motivo de reclamações dos comerciantes que têm lanchonetes na praça de alimentação, situada no piso superior da nova rodoviária. O porta-voz deles Nereomar Almeida de Barros, 35 anos, disse que a taxa afastou os fregueses. Investi R$ 35 mil, esperava movimento de R$ 9 mil mensais e hoje mal consigo R$ 1,5 mil. Ontem, às 16 horas, as 20 mesas da praça de alimentação, rodeada por quatro lanchonetes, estavam vazias.
O secretário dos Transportes rebate e dá uma boa notícia. Estamos estudando como diminuir a taxa de embarque pela metade para as cidades de média distância. Mas a rodoviária está mantendo o movimento de 3,5 mil passageiros por dia e em feriados prolongados chega a 5 mil. O problema dos comerciantes é falta de criatividade. Eles têm que criar uma campanha para que o povo fique sabendo daquela praça de alimentação. Nem a vizinhança sabe que ela existe. É um lugar limpo, barato, agradável, na sombra.
Barros contra-ataca: Foi combinado que não poderia existir comércio similar ao redor do prédio. Carvalho responde: Os alvarás para o comércio similar (restaurantes e lanchonetes situados na Avenida Centenário, ao lado da rodoviária) foram expedidos na administração anterior da prefeitura. Não podemos fazer nada.
Barros já pediu a Carvalho que as linhas dos ônibus metropolitanos deixassem a rodoviária velha e fossem para a nova. Carvalho já disse a ele que falta espaço para isto.
Barros disse ainda que a prefeitura proibiu a realização de shows musicais na praça de alimentação. Fizemos dois shows e foi quando mais lucramos. Deu certo. Agora nos proibiram. Resposta do secretário: Fizeram uma bagunça danada e a vizinhança reclamou. O espaço é da prefeitura mas eles podem usá-lo gratuitamente para exposições de pinturas, desfiles de modas, piano-bar, o que quiserem. Mas bagunça, não.
A nova rodoviária, que foi inaugurada em maio, tem 17.600 metros quadrados e 17 lojas - três no piso inferior e 14 no superior, mas apenas sete lojas estão funcionando. O problema desta rodoviária é que ela foi construída em um ponto conflitante, entre duas avenidas movimentadas e entre três postos de combustíveis, argumentou Carvalho. A construção do prédio foi iniciada na administração anterior da prefeitura.


