A ansiedade que costuma preceder cirurgias tem um agravante entre alguns pacientes que utilizam o Sistema de Assistência à Saúde (SAS) dos servidores estaduais do Paraná: a demora na liberação do procedimento. Por causa das regras para autorização das chamadas cirurgias eletivas (que não são de urgência ou emergência), os usuários podem ter que esperar até seis meses para ser submetidos às intervenções.
A convivência com os sintomas - muitas vezes desagradáveis - torna a espera angustiante e gera reclamações. A questão, entretanto, é tratada como rotina pela gerência do serviço. ''Para realizar a cirurgia, é preciso passar por auditoria que verifica se a indicação atende aos critérios estabelecidos. O problema é que as pessoas não entendem o sistema'', afirmou o gerente-operacional do SAS, Antônio Carlos Ribeiro.
Daniela Muniz Pacheco Sotana recebeu indicação de cirurgia para retirar as adenóides do filho de 4 anos há mais de três meses. Seguiu todos os procedimentos orientados pelos médicos, mas ao tentar fazer o agendamento foi informada de que não há previsão de data. ''Disseram para esperar um telefonema até o final do ano'', reclamou.
Enquanto a cirurgia não acontece, a família convive com noites maldormidas em função da dificuldade de respirar do menino. ''Acordo cinco vezes, todas as noites, porque ele fica com falta de ar'', contou ela, que lamenta também a necessidade de refazer exames que perderam a validade.
Esposa de um servidor estadual, Maria Cristina Caetano tinha diagnóstico de endometriose e enfrentou cinco meses de espera para conseguir a cirurgia para retirada do útero. A espera, segundo ela, foi complicada por conta dos constantes sangramentos. ''Mandamos e-mail até para o governador. Depois de muito reclamar, consegui a cirurgia'', relatou.
No caso de um aposentado que não quis se identificar, a espera para realizar uma cirurgia plástica que combateu o crescimento exagerado do nariz durou quase um ano. ''Gerou muita ansidade e constrangimento, porque meu nariz estava muito grande. Se não fosse a orientação dos médicos para vencer a burocracia, não teria conseguido.''
Antônio Carlos Ribeiro, do SAS, esclareceu que as cirurgias de urgência e emergência possuem prioridade no sistema e são definidas de acordo com critério médico. ''Cirurgias para pessoas com câncer, por exemplo, são liberadas em uma semana'', justificou.
Ele informou também que a recomendação é realizar os exames pré-operatórios apenas depois que a cirurgia estiver marcada, para evitar a necessidade de refazê-los.

mockup