Mario CesarReclamaçãoNeuza Ferreira, do Conselho de Saúde do Centro: ‘Alguns médicos vão embora sem cumprir carga horária’O problema não é geral, mas ocorre em alguns dos postos de saúde de Londrina. Vários dos 220 médicos - entre pediatras, ginecologistas e clínicos gerais - contratados pela Secretaria Municipal de Saúde (AMS) não cumprem o horário de trabalho, quatro horas diárias, se recusam a realizar mais de 16 consultas neste período, e são grosseiros no atendimento aos usuários.
Essa denúncia de que parte dos médicos das unidades básicas faz ‘‘corpo mole’’ foi feita na semana passada ao promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, e confirmada ontem à reportagem da Folha por dois conselheiros regionais de saúde.
‘‘Não queremos generalizar, mas o problema existe. Temos recebido reclamações de usuários. Na última terça-feira, dia do jogo da Seleção, um médico que deveria ter entrado às 14 horas só chegou à unidade às 16 horas. A fila de espera era enorme e havia pessoas até com pneumonia’’, afirma o presidente do Conselho de Saúde da Região Oeste, Joel Tadeu Corrêia.
Arquivo FolhaCasos isoladosO secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian: ‘O problema existe com uma minoria de médicos’Segundo ele, alguns médicos se recusam a prosseguir atendendo depois de feitas 16 consultas, mesmo que ainda esteja sobrando tempo dentro das quatro horas de trabalho diário. ‘‘Além disso, alguns médicos tratam os pacientes com descaso. Esta situação é grave, necessita de solução urgente’’, ressalta Joel Corrêia. Ele lembra ainda que o número de médicos nas unidades básicas é insuficiente, as filas de usuários são longas e a falta de remédios se tornou crônica.
A presidente do Conselho de Saúde do Centro da Cidade, Neuza Alves Ferreira, comenta que este tipo de comportamento por parte de médicos prejudica bastante os usuários do serviço municipal. ‘‘As pessoas reclamam muito para nós. As filas começam na madrugada e são longas. Alguns médicos passam muito rápido pelos postos, e vão embora sem cumprir a carga horária e sem atender a todos que necessitam. Assim, as pessoas têm que voltar em outro dia.’’
De acordo com Neuza Ferreira, além de aumentar o número de médicos nas unidades e fiscalizar com mais rigor as atividades dos profissionais, a Secretaria Municipal de Saúde deveria ampliar os dias de coletas de amostras - urina, fezes e sangue - para exames laboratoriais, que atualmente ocorrem apenas duas vezes por semana.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, admite a existência do não-cumprimento do horário entre os médicos e diz que medidas para resolver o problema estão sendo tomadas. ‘‘Temos que melhorar a produtividade e exigir o respeito à jornada de trabalho dos médicos. Estamos fazendo isso. Já instalamos relógios-ponto em dez unidades e, em breve, todas contarão com este instrumento mecânico de fiscalização que não havia em nenhuma. Estamos exigindo também que cada médico realize, no mínimo, 16 consultas durante as quatro horas de trabalho. Este número é o mínimo, e não o máximo. Todos podem realizar mais que 16, quando as consultas são fáceis e rápidas, como por exemplo nos casos de retornos.’’
Agajan ressalta que a Secretaria de Saúde está preocupada com a melhoria do atendimento nos postos de saúde. Ele garante que os médicos que não respeitarem as exigências terão descontos na folha de pagamento. ‘‘Isso já aconteceu com alguns médicos e vale para todos que não respeitem os compromissos trabalhistas assumidos. Em caso de reincidência, abriremos processo administrativo, que poderá levar à exoneração do cargo’’, afirma Agajan Der Bedrossian.
Ele diz, no entanto, que a maioria dos médicos já trabalha bem mais do que o exigido pelo contrato. ‘‘Muitos já vêm fazendo 20, 25 consultas diárias, e extrapolam as quatro horas de atendimento. O problema existe com uma minoria dos médicos, talvez acomodada por uma histórica baixa produtividade e falta de cobrança das chefias e autoridades municipais. Agora, a situação vai mudar.’’ O promotor Paulo Tavares, que há semanas está tratando dos problemas de atendimento nos hospitais públicos e privados da Cidade, fará na próxima semana visitas aos postos de saúde em diferentes regiões.

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