Tráfico e uso de drogas, ameaça constante de assaltos, sujeira de fezes, urina e vias públicas que funcionam como verdadeiros ''motéis a céu aberto''. Em pelo menos três bairros da Região Central de Londrina, moradores convivem diariamente com o risco imposto pela invasão de imóveis públicos ou privados por usuários de drogas. Observadores da movimentação em torno da venda e consumo de entorpecentes, muitos associam aos ''mocós'' o alto índice de roubos registrados nesses lugares.
No Jardim Castelo (Zona Leste), onde um comerciante foi assassinado por assaltantes no dia 21 de abril, o Grêmio Recreativo dos Funcionários Municipais, conhecido como Greminho, é constantemente invadido apesar da presença do caseiro e de funcionários no local. Na vila Santa Terezinha, bem próximo ao clube, um imóvel particular vazio, na esquina entre a rua Ceará e a Avenida Santa Mônica, funciona como ''mocó''.
Na Vila Nova (Área Central), o local problemático fica em frente à associação de moradores, na calçada da Rua Guaíba, onde usuários de drogas, andarilhos e alcoolistas costumam fazer algazarra assim que o sol se põe. Ontem, a sede da associação foi mais uma vez invadida por assaltantes que, na falta de produtos valiosos para roubar, levaram o motor de duas geladeiras. A entidade fica perto do local onde a aposentada Ester de Souza Vieira, 66, morreu no início deste mês após bater a cabeça no meio-fio no momento em que teve a bolsa violentamente roubada por duas pessoas que estavam em uma moto.
No Greminho, funcionários relataram que, no final de janeiro, seis pessoas foram presas dentro da agremiação por uso de drogas. Contratado para cuidar do local após as prisões, o caseiro José Valentim da Silva recolhe, diariamente, camisinhas usadas, calcinhas femininas e restos de drogas no local. ''As invasões diminuiram depois que vim morar aqui, mas continuam acontecendo. Pelo menos duas vezes por noite, faço a ronda com meu cachorro para fiscalizar se não tem gente usando drogas.''
O gerente comercial Rogério Juliato, que mora próximo ao clube, assiste todos os dias ao desfile de homens, mulheres e adolescentes que se reúnem perto de sua casa para usar drogas. ''A gente evita chegar ou sair sozinho. Antes de guardar o carro na garagem, dou uma volta para checar se não tem movimentação suspeita''.
Para ele, o problema maior é o abandono do Grêmio, que possui inclusive um lago e poderia ser usado como área de lazer pelos moradores da região. ''É um patrimônio público largado, no centro da cidade. O pessoal que mora aqui perto não tem coragem de entrar lá.''
Na esquina da Ceará com a Santa Mônica, as reclamações dos moradores e comerciantes - que temem se identificar por medo de represálias - são parecidas. Relatos de várias pessoas confirmam que os usuários de droga invadiram o imóvel abandonado e o usam para fumar crack e manter relações sexuais. As marquises de empresas da avenida também são ocupadas quando começa a noite, assim como pontos de ônibus e parte do gramado do Estádio Municipal Uady Chaiben.
''A gente nunca sai de casa por medo de ser assaltado. A calçada amanhece suja de camisinhas e restos de drogas. O cheiro de fezes e urina é muito forte. Canso de ver adolescentes fazendo programas. A polícia vem, mas depois que vão embora começa tudo de novo'', contou uma das moradoras.
Na sede da Associação de Moradores da Vila Nova, uma voluntária que faz a limpeza da sala utilizada por um grupo de idosos também denuncia a sujeira deixada por invasores. ''Sempre tem fezes, urina, restos de droga e camisinhas penduradas no portão. A rua aqui em frente é um motel a céu aberto.''
O presidente da associação de moradores, Alberto dos Santos, confirmou que a rua Guaíba, que passa nos fundos da instituição, se transformou num mocó em via pública, o que assusta os moradores do bairro. ''O local vive cheio de bêbados e drogados. Tem um caseiro, mas não dá para ele se arriscar a enfrentar essas pessoas. A polícia vem, mas não resolve. É uma situação difícil, a gente fica sem saber o que fazer.''

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