O cansaço não é a única dificuldade do trabalhador que atua em Londrina e mora em cidades da região. Quem precisa voltar para casa de transporte coletivo tem de enfrentar a chuva e o frio nos pontos de ônibus nas proximidades do Terminal Urbano (Centro). Essa situação é alvo de críticas dos moradores de municípios vizinhos. E resultou em mobilização de entidades representativas de Cambé.
A Federação Cambeense das Associações de Moradores (Fecam) já organizou reunião com representantes da prefeitura da cidade vizinha e da empresa TIL. A reivindicação é a ampliação da cobertura dos pontos de ônibus.
Projeto que, se sair do papel, vai beneficiar gente como o porteiro Wilson Lazarini, 42 anos. Há quase duas décadas ele usa o ônibus intermunicipal diariamente para trabalhar em Londrina. ''Precisa melhorar muito isso aqui. Do jeito que está não dá para ficar'', comenta o morador de Cambé.
O problema, segundo ele, é que as coberturas dos pontos não são suficientes para abrigar o grande número de passageiros. De acordo com a Fecam, perto de 40 mil passam diariamente pelo local.
Um desses passageiros é o operador de máquinas Francisco Garcia, 38. Ele diz que já tomou muita chuva no ponto que fica em frente ao Terminal Urbano, do outro lado da Avenida Leste-Oeste. ''Já tomei muita chuva aqui. Deveriam ser feitas modificações até para organizar melhor as filas, que às vezes se misturam'', declara.
A chuva também foi o alvo das queixas do encarregado de depósito Valmir Gerindo de Mello, 32. Após declarar que já enfrentou condições climáticas adversas no local, ele diz torcer para que os pontos de ônibus sejam reformados. ''O trabalhador, que luta o dia inteiro, precisa disso no fim do expediente.''
A auxiliar de produção Hilda Ferreira, 40, é a voz dissonante da maioria. Para ela, a atual situação não apresenta problema. ''Assim está bom. Quando chove é um pouco ruim. Talvez fosse bom ter uma cobertura maior'', diz.
Além de abrigos de melhor qualidade, bancos para acomodar os passageiros também fazem parte da lista de reivindicações da Fecam. De acordo com o vice-presidente da entidade, Nilton Alves de Lima, outro problema é a dificuldade, em especial para idosos, embarcarem e desembarcarem. ''O ideal é que os passageiros tivessem também banheiros à disposição'', ressalta Lima.
O presidente da Fecam, Paulo César Tardiolle, destacou que a empresa TIL deveria financiar o projeto por ser ''concessionária do serviço público.'' ''Já fizemos reuniões e planfetagem e deveremos fazer outras mobilizações. Queremos uma solução para resolver o problema definitivamente'', enfatiza.
De acordo com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), o Decreto Estadual 1.821/2000 determina que a responsabilidade pela manutenção e colocação dos pontos de ônibus é das empresas que operam o sistema.
O operador de tráfego da TIL, Adalberto Lopes, ressaltou que os pontos são usados também por passageiros de outras empresas e que a concessão do serviço intermunicipal é feita com o governo do Estado. ''Nós apenas paramos onde a CMTU determina. No que depender de nós, vamos apoiar a reivindicação dos usuários'', afirma.

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