Usuários criticam reajuste de tarifa de ônibus
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O reajuste do transporte coletivo na Região Metropolitana de Curitiba pegou os usuários de surpresa. A partir da zero hora, o valor sobe de R$ 1,50 para R$ 1,65, a mesma tarifa praticada no transporte coletivo curitibano. Para o lavrador desempregado João Carlos da Silva, 52 anos, o reajuste é exagerado. ''Não teve aumento do combustível. Não se podia reajustar o valor da tarifa do ônibus. As coisas estão difíceis. Está tudo parado, o emprego não aumenta e os preços continuam sendo reajustados'', reclamou ele.
O reajuste da tarifa era esperado desde maio deste ano, quando a Coordenadoria da Região Metropolitana (Comec), órgão vinculado ao governo do Estado, e a Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), ligado à Prefeitura de Curitiba, entraram num impasse e quase romperam a parceria do Sistema de Transporte Coletivo Integrado. ''O valor da tarifa de Curitiba é muito caro. Quinze centavos pesam muito no bolso'', apontou a dona de casa Neide Pontes, 37 anos. A irmã, Suzana Rodrigo Pontes, 29 anos, também considerou o aumento abusivo. ''Reajustam tudo, menos o salário dos nossos maridos'', reclamou.
A estudante Vanessa de Oliveira, 15 anos, disse que terá que usar menos o transporte coletivo. ''Eu uso para fazer curso. Meu pai vai querer cortar meus estudos para evitar gastos'', previu. A auxiliar de cozinha Lucia Vaz, 45 anos, tem que cumprir todos os dias o trajeto Curitiba-São José dos Pinhais. Ela visita diariamente uma doente no Hospital de Clínicas. ''Esse valor pesa muito. Espero que não ocorra mais esse tipo de reajuste.''
A manicure Maria Aparecida de Souza, 44 anos, era a única que sabia sobre o reajuste da tarifa na enquete feita pela Folha. ''Uso ônibus direto. A qualidade do serviço é precária, mas precisamos do transporte coletivo. Temos que pagar pelo aumento'', lamentou. Iara de Fátima Machado, 28 anos, cobrou qualidade dos serviços condizente com o valor cobrado pelas tarifas. ''Tem que melhorar o serviço'', defendeu.
A dona de casa Juciane Bueno de Lima, 24 anos, comemorou o ajuste de contas entre Comec e Urbs. De acordo com ela, desde o impasse a qualidade dos serviços piorou. ''Não importo de pagar mais. Só quero que o ônibus chegue e que não esteja lotado. O acordo melhora toda a vida o sistema de transporte.''


