Curitiba

Kraw PenasSurpresaMuitos só ficaram sabendo do aumento quando foram pegar o ônibus ontem. Tarifa custa mais caro desde domingo‘‘Um absurdo’’ e ‘‘uma aberração’’ foram duas das opiniões de quem estava ontem de manhã na Praça Rui Barbosa, onde se concentram as principais linhas de ônibus de Curitiba. O aumento da tarifa em 15% - de R$ 0,65 para R$ 0,75 - assustou muita gente. ‘‘Se pelo menos melhorassem primeiro (o serviço) para depois subir (o preço), a gente até entenderia’’, disse o fotógrafo autônomo Claudemiro Penas. A tarifa do Rápido Metropolitano, que faz a ligação com os municípios da Região Metropolitana, aumentou 38,46%, passando de R$ 0,65 para R$ 0,90.
‘‘Temos necessidade de aumentar a frota e os horários e isso só é possível com o aumento da tarifa’’, ponderou Fric Kerin, presidente da Urbanização de Curitiba (Urbs), que gerencia o transporte coletivo em Curitiba.

Kraw Penas‘‘Temos necessidade de aumentar a frota e os horários e isso só é possível com o aumento da tarifa’’. Fric Kerin, presidente da UrbsA Urbs colocou nos terminais e principais pontos de ônibus 240 fiscais para monitorar o primeiro dia útil com tarifa mais cara. No terminal de Fazenda Rio Grande houve protesto no início da manhã e no final da tarde. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) agendou um ato público em sinal de repúdio aos aumentos, desproporcional, na opinião deles, aos 5,66% de reposição salarial propostos pela Urbs aos motoristas e cobradores. ‘‘As manifestações de protesto contra o aumento são normais. A população leva pelo menos dois dias para se acomodar a qualquer modificação’’, afirmou Fric Kerin.
Ainda esta semana a linha dos ônibus biarticulados Santa Cândida-Pinheirinho receberá mais nove veículos. ‘‘A previsão, no total, é colocar nas ruas mais 530 ônibus ainda este ano. Temos que ter tarifa para gerenciar esse acréscimo’’, justificou.
O sistema de transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana atende, em média, um milhão e 50 mil pessoas por mês. A tarifa de R$ 0,75 representa 15% de aumento e, segundo Kerin, permanecerá com este valor até o final do próximo ano.

‘‘Semana passada gastei 18 vales-transporte e não encontrei emprego. Agora vai ficar
mais difícil’’. Aparecida José Félix, desempregada
Chiadeira - ‘‘Para quem está desempregado e tem que ir a todos os lugares procurar trabalho é quase impossível. Semana passada gastei 18 vales-transporte e não encontrei emprego. Agora vai ficar mais difícil’’, reclama Aparecida José Félix. Ela, a filha Ângela Maria Félix e a amiga Vera Lúcia Nascimento estão há mais de dois meses desempregadas e asseguram que gastam mais em transporte do que em comida.
A estudante de Odontologia da PUC Adriana Miike gasta quatro vales por dia. ‘‘Uso o sistema integrado e se tivesse ficado sabendo com antecedência teria economizado um pouquinho, pelo menos, comprando vales para mais alguns dias.’’ Ela não acredita que a divulgação do aumento teria provocado uma corrida para comprar vales, como imaginava a prefeitura. ‘‘Só se fosse por parte das empresas, porque o povo não tem dinheiro.’’

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