Usuários adotam homeopatia e confirmam maior bem-estar
A organização não-governamental (ONG) Casa de Maria, que mantém uma casa de apoio a portadores do vírus HIV em Jaguapitã (46 quilômetros a norte de Londrina), introduziu o Canova no tratamento de alguns de seus pacientes há cerca de dois anos.
Das 21 pessoas que moram atualmente no Recanto Amigo, seis estão tomando a fórmula homeopática. Uma das normas da casa, mantida pela Igreja Católica e por doações, é que todos os moradores devem seguir a prescrição médica.
O uso do coquetel, portanto, é obrigatório. Já o Canova é uma opção de cada um.
O coordenador do Recanto, Alexander Bezerra, e a auxiliar de enfermagem Josiane Correia Lins Viana, explicam que de um ano para cá cinco pessoas tiveram a carga viral indetectável (o que não significa zerada).
Destas, uma faz uso do Canova. As outras quatro usam apenas o coquetel.
A opinião de Josiane quanto aos benefícios do medicamento confere com o que os médicos adeptos da fórmula têm dito: os sinais mais visíveis são no que diz respeito à qualidade de vida dos pacientes.
Os usuários da fórmula comprovam a tese. Ronaldo Oliveira da Silva, de 37 anos, já chegou a interromper o uso do coquetel por um ano aproximadamente por causa dos efeitos colaterais (diarréias, principalmente).
Perdeu muito peso e acabou internado no HU. De lá foi encaminhado para o Recanto Amigo, e há três meses passou a usar o Canova.
Já não sinto tanto os efeitos colaterais e ganhei peso rapidamente, afirma.
Ele ainda não sabe se nos últimos meses houve uma diminuição em sua carga viral e aumento das células de defesa, já que o centro de referência do Hospital de Clínicas (HC), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), suspendeu temporariamente estes exames por falta de material.
Independente dos resultados, porém, Silva pretende continuar com as duas terapias. O bem-estar é muito maior.
Laudinéia Ferreira Nunes, de 47 anos, conta que começou a utilizar o Canova em parceria com os antiretrovirais há mais ou menos oito meses, e acha que o que mudou foi a melhor tolerância a um dos medicamentos do coquetel, que embrulha o estômago e deixa um gosto ruim na boca.
Ela diz que chegou à casa de apoio muito debilitada, com um lado do corpo paralisado e muita dificuldade para respirar. Não distinguia mais as pessoas e já não caminhava.
Melhorei muito, já fui duas vezes sozinha para o Rio de Janeiro visitar minhas filhas.
Ela não sabe se o Canova a ajudou neste processo, mas diz que não pretende deixar de tomar as gotas três vezes por dia. (S.L.)





