Usuário pede mais médicos no IPE
Lúcio Horta
O aposentado Anízio Viana, 62 anos, de Ibiporã, procurou a Redação da Folha ontem de manhã, em Londrina, para reclamar da falta de médicos especialistas no Instituto de Previdência do Estado (IPE). Com tremores e taquicardia há quase duas semanas, ele procurou ontem o prédio do Instituto, no centro de Londrina, e foi atendido ontem por um clínico geral.
Depois de examinar o paciente, segundo Anízio, o médico disse que ele deveria ser atendido por um cardiologista. Para isso, no entanto, o aposentado teria que voltar no outro dia (hoje) e marcar nova consulta, para ser atendido somente na próxima quinta-feira. Isso porque o IPE mantém apenas um médico cardiologista.
‘‘E se for um caso mais grave?’’, questiona o aposentado. ‘‘A gente vai para ser atendido e não é. Será que agora doença tem que ter hora marcada? Ou tem que adivinhar quando ficar doente?’’, ele acrescenta. ‘‘Não tenho outro lugar para ir, não tenho dinheiro para pagar consulta. É uma situação difícil. Não gosto de reclamar, mas vou fazer o quê? Não tenho saída.’’
Anízio Viana lembra que há alguns anos, quando não havia médico especialista no prédio do IPE, o paciente recebia uma requisição e era encaminhado no ato para atendimento em outro local. De lá para cá a única coisa que não mudou, ele diz, é o desconto mensal de R$ 34,00 no pagamento. Sem contar - destaca - que há quatro anos não recebe reajuste salarial.
‘‘Meu salário bruto é de R$ 250,00. Mas só recebo R$ 111,00, por causa de um empréstimo. Não tenho como pagar consulta particular’’, acrescenta. Apesar da bronca, o aposentado observa que o problema é de estrutura e falta de médicos, e não de atendimento. Ele diz que sempre foi muito bem atendido pelos profissionais que trabalham no local.
O coordenador do IPE em Londrina, Marcelo Mendonça, admite que a estrutura do instituto é pequena e seria impossível atender todas as especialidades em qualquer hora do dia. Ele cita que no total existem apenas 30 médicos (entre eles, um cardiologista) para atender uma demanda de 45 mil usuários de Londrina e região.
Mendonça garante, no entanto, que todos os pacientes são atendidos, com ou sem demora. Quando o caso é urgente, o paciente é encaminhado imediatamente para tratamento. Sobre o problema de Anízio Viana, Mendonça diz que se o caso fosse realmente mais grave e urgente - um infarto, por exemplo -, o paciente seria levado no ato para um hospital. Até porque, segundo o coordenador, o instituto nem teria condições técnicas de atender um caso como esse.
Marcelo Mendonça lembra ainda que o valor descontado no salário do trabalhador não vai para o instituto e sim para a Previdência. Ele adianta também que já há projeto tramitando na Assembléia Legislativa prevendo a reestruturação do instituto. Embora ainda esteja em fase de propostas, o objetivo do projeto é justamente melhorar a qualidade no atendimento dos pacientes atendidos pelo IPE.

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