Rodrigo, 24 anos, é usuário de maconha desde a adolescência. Ele lembra que sua mãe entrou em desespero quando descobriu e o levou para uma clínica psiquiátrica. Ele procurou explicar a ela como entendia o vício. ''Minha família é conservadora. Foi um choque. Mas eles viram que eu não mudei em nada. Sou responsável e tenho trabalho. Não avancei para outras drogas.''
O uso da maconha para ele, garante, é quase um rito espiritual. ''Os índios usam a erva há milênios. É uma forma de se harmonizar com a natureza. Fumar a maconha é colocar algo natural dentro de nós. Nunca comprei de nenhum traficante. A maconha deles tem uma energia ruim. Compro de amigos que plantam e não exploram ninguém.''
O jovem afirma que faz uso de um único baseado por dia e acredita que sem ele estaria usando antidepressivos. É contra as outras drogas e ironiza a venda legal do álcool e do tabaco. ''É uma hipocrisia. Em vários países da Europa a maconha é utilizada no tratamento de câncer, para aliviar as dores. Mas o tabaco, que causa o câncer, pode ser vendido.''
Ele diz ser contra a legalização da maconha. ''Se for legalizado vai apenas virar um comércio, com impostos e taxas. Eu sou a favor de descriminalizar. As pessoas poderiam plantar, portar e usar, sem serem presas. Como se cultiva o boldo, a hortelã, etc.''
Mariana tem 26 anos e é filha de uma toxicóloga. Quando a mãe descobriu que ela usava maconha a obrigou a ler vários artigos sobre o assunto e traçou uma lista de proibições e censuras. ''Com o passar do tempo ela viu que não houve nenhum problema comigo e hoje entende que a maconha não me deixa agressiva, pelo contrário, me harmoniza.'' (B.M.)

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