Ônibus cheios de manhã e no final da tarde, longas esperas fora do horário de pico, risco de assaltos e a iminência de um aumento no preço da tarifa. Essa é a realidade de quem depende do transporte coletivo na cidade de Londrina que, junto com Maringá, está envolvida em imbróglios judiciais com as empresas detentoras do serviço, caso de Maringá e Londrina.
Enquanto a queda de braço entre poder público e setor privado não se define, quem reclama é o usuário que, não raro, prefere abrir mão de compromissos ou atividades a ter que enfrentar o serviço. A dona de casa Neuza da Silva, moradora do Jardim União da Vitória (zona sul de Londrina) vê a mãe menos do que gostaria. O motivo: se contar com a sorte ela leva pelo menos 1h30 minutos para atravessar a cidade e chegar até o Jardim Olímpico (zona oeste). Mesmo com a oferta de veículos reduzida durante a tarde, ela prefere esperar mais para evitar o atropelo da manhã. ''Nesse horário é muito cheio, não têm condições'', afirma.
Quanto mais distante o bairro, maiores os problemas e maior o tempo dispendido nas viagens. Apesar de colado ao União da Vitória, o conjunto Jamile Dequech, por exemplo, não tem ônibus direto para o centro da cidade e a baldeação entre um ônibus e outro no Terminal Acapulco toma mais tempo dos usuários, caso da moradora Rosângela Gomes.
Quando tem que levar a filha para consultas médicas no centro, a dona de casa já espera perder uma boa parte do dia. ''Tem que sair pelo menos 1h30 antes do compromisso senão não tem jeito, só para chegar no Terminal (central) leva uma hora certinho, dependendo do lugar onde a gente vai é pior ainda'', conta.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella concorda com as críticas dos usuários mas argumenta que com a atual tarifa, R$ 1,35, não há como melhorar. ''O valor da passagem é que define o nível de investimento que podemos exigir das empresas, no momento estamos no limite'', afirma. No momento, a CMTU estuda qual o valor do novo reajuste das passagens o último foi em dezembro do ano passado.
Na semana passada, a companhia abriu um processo de licitação para contratar uma consultoria especializada para diagnosticar o sistema e sugerir mudanças que melhorem o transporte e corrijam as distorções do sistema integrado.
Distorção como a que faz o garçom Júlio Cézar Vieira, morador do jardim Cafezal, demorar 1h40 para chegar ao restaurante em que trabalha na avenida Maringá. Depois do sufoco da ida, ele ainda corre o risco de ficar sem condução no final do expediente. ''Se perder o ônibus da 00h30, só as 2h30, no final de semana que é mais corrido é complicado'', afirma.
O objetivo da CMTU, com o estudo, é se preparar para um novo processo licitatório que melhore o sistema. Atualmente, o processo está em pendência por conta de um processo judicial movido pela Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), que questiona o fim da concessão expirada em 1997.

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