Celso MargrafIrredutívelO caminhoneiro Vilson Stankovitz se recusou a pagar o pedágio no posto próximo a Imbituva e bloqueou a pista com seu caminhão, reclamando da tarifa cobrada sobre pista simples; após tentativas de negociação, o caminhoneiro acabou preso Informações desencontradas, pista bloqueada, reclamações e muita confusão marcaram ontem o primeiro dia da cobrança de pedágio na BR-373, entre Ponta Grossa e Guarapuava. Também começou ontem a cobrança de pedágio na BR-277 entre Guarapuava, passando por Irati, e São Luiz do Purunã. As rodovias liberadas fazem parte do Lote 4 do Anel de Integração.
Às 7 horas, o caminhoneiro Vilson Stankovitz, que trafegava entre Ponta Grossa e Imbituva, sentido Foz do Iguaçu, se negou a pagar a tarifa do pedágio, interditando com seu caminhão o tráfego de veículos em uma das passagens do posto. Ele acabou preso.
Stankovitz, que deveria pagar R$ 8,40 para passar pelo pedágio, abandonou seu caminhão Mercedes Benz carregado de celulose no meio da pista, e foi tomar um cafezinho em uma lanchonete a 300 metros dali. Marcelo Santos, chefe do posto de cobrança, acionou a Polícia Militar de Imbituva, que foi atrás do caminhoneiro, mas não conseguiu convencê-lo a pagar o pedágio ou a desbloquear a pista.
Marcelo Santos chamou então a Polícia Rodoviária Federal. Os policiais tentaram um acordo com o caminhoneiro, mas também não tiveram sucesso. Stankovitz estava decidido a ir até o fim. Ele argumentava que, ao se negar a pagar a tarifa, estava apenas exercendo seus direitos como cidadão.
Os policiais rodoviários tentaram negociar com ele por mais de 30 minutos. Como o caminhoneiro se mostrou irredutível, os policiais retiraram o caminhão da pista de tráfego e levaram Stankovitz para a Delegacia de Polícia de Imbituva. O patrulheiro Burgarth, da Polícia Rodoviária, explicou que Stankovitz estava sendo preso por bloquear a pista da BR-373, e não porque não quis pagar o pedágio.
O caminhoneiro foi autuado e enquadrado no artigo 345 do Código Penal, pelo exercício arbitrário de suas próprias razões. O escrivão João Carlos Fabrício, que lavrou um termo circunstanciado, disse que o motorista cometeu um ato ilegal, achando-se no direito de fazer o que fez. ‘‘É o mesmo que fazer Justiça com as próprias mãos’’, comparou o escrivão.
O caminhoneiro foi encaminhado ao Fórum da Comarca de Imbituva, onde teria uma audiência com o juiz Antonio Acir Rícina. A audiência estava marcada para as 14 horas, mas até o final da tarde de ontem Stankovitz não havia sido liberado. Alziro da Motta Santos Filho, advogado do sindicato que representa os motoristas autônomos, alegou que Stankovitz estava apenas protestando, exercendo um direito constitucional de cidadão.
O caminhoneiro afirmou que não pagaria pedágio, principalmente porque ele está sendo cobrado em pista simples, sem opção de estradas alternativas. ‘‘Em estradas de pista dupla eu até concordo com o pedágio, mas nas rodovias simples sempre vou me recusar’’, disse.
Stankovitz entende que a BR-373 não está totalmente recuperada, faltando a construção de acostamentos e de terceira faixa nos trechos em subida. ‘‘Querem cobrar pedágio, mas não temos nem mesmo segurança para trocar um pneu na rodovia’’, afirmou.
Outros caminhoneiros também pararam, prejudicando o fluxo de veículos. Entre 7h30 e 8h10 formou-se um pequeno congestionamento no local. Muitos motoristas alegavam que não sabiam que a cobrança começaria ontem. Rosival Tabor, que vinha de Lençóis Paulista (São Paulo), estava sem dinheiro e não conseguiu passar. Ele tentou explicar que receberia o frete em Imbituva, 5 quilômetros depois do pedágio, mas não adiantou.
Os funcionários do posto de pedágio também não ajudaram muito na solução dos problemas. Todas as decisões sobre isenção do pagamento deveriam sair da diretoria da concessionária Caminhos do Paraná, em Irati.
O posto de pedágio entre Ponta Grossa e Imbituva estava operando sem a estrutura de atendimento ao usuário, como ambulância, guincho, carro socorro e de auto-atendimento. O chefe do posto, Marcelo Santos, disse que estavam sendo utilizados os serviços da estação de Relógio, a mais de 30 quilômetros de distância.

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