Usuárias de ônibus reclamam de banheiros em terminais
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Há menos de um mês, a dona de casa Marilde Motta de Carvalho, 56 anos, vivenciou uma cena constrangedora. Enquanto aguardava a chegada de um ônibus no Terminal do Milton Gavetti (Zona Norte de Londrina), escutou gritos que partiam do banheiro feminino do terminal. Quando chegou no local, viu uma mulher de 60 anos caída no chão, próximo à bacia turca, pedindo ajuda para se levantar. ''Ela era uma senhora um pouco gordinha e na hora que tentou abaixar para usar o banheiro, não aguentou e caiu. Ela não conseguia se levantar sozinha e então pediu minha ajuda'', lamentou Marilde.
Para muitas mulheres, utilizar o banheiro público é sempre motivo de constrangimento e insatisfação. ''Até que não é sujo, mas é horrível aquele buraco no chão. Além de ser um grande incômodo para nós mulheres, nem sempre tem papel higiênico'', reclamou a usuária do terminal.
Tanto no Milton Gavetti quanto no Terminal do Jardim Acapulco (Zona Sul) não existe os tradicionais vasos de louça, somente com as chamadas ''bacias turcas'' que são fixadas diretamente no chão.
A moradora do Conjunto Farid Libos, Veridiana Silva, 23 anos, disse que passa pelo Terminal do Milton Gavetti todos os dias para levar seu filho na creche, mas confessa que evita usar o banheiro. ''Eu me incomodo muito, prefiro não usar'', comentou.
Para a vendedora ambulante Tatiana Regina da Cruz, 30, o problema é ainda maior quando a sua mãe precisa usar o banheiro. Segundo ela, que passa diariamente pelo Terminal do Jardim Acapulco, sua mãe sofreu um derrame e sente tonturas e dificuldade de se equibilibrar. ''Eu ainda uso quando preciso porque não tem outro jeito, mas para minha mãe é muito ruim. Isso aqui é uma vergonha, não se usa mais vasos como esses há anos e a gente tem que se submeter a isso'', reclamou.
O supervisor de operações de transportes da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Souza, disse que já existem projetos para mudar a estrutura dos banheiros dos dois terminais, além do Terminal do Vivi Xavier (Zona Norte), que também possui as bacias turcas. Segundo ele, a CMTU está priorizando a conclusão da reforma no Terminal Urbano do Centro para depois iniciar as obras nos demais terminais.
''Sabemos que os usuários não estão satisfeitos, mas começamos a mexer aqui no Terminal Central e agora precisamos concluir. Além dos banheiros, precisamos readequar as rampas para cadeirantes e piso tátil para deficientes visuais'', disse.
Ainda segundo Souza, um projeto para a reforma dos banheiros do Jardim Acapulco já foi encaminhado para avaliação da Secretaria de Obras, mas ainda precisa ser aprovado e daí então ser aberto um processo de licitação. ''Não temos previsão nenhuma ainda. Vai depender dos recursos e da conclusão das obras aqui no terminal central'', finalizou.


