USP quer maior acesso de alunos da rede pública
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sábado, 16 de fevereiro de 2002
Renata Cafardo Agência Estado 
Chegam amanhã para fazer suas matrículas na Cidade Universitária e nos outros campus da Universidade de São Paulo (USP), os 7.801 novos estudantes deste ano. Entre eles, segundo estatísticas recém-saídas do forno, 25% fizeram o ensino médio em escolas públicas. O número pode parecer alto, mas é sabido que grande parte dos alunos pobres conseguem vagas apenas nos cursos menos concorridos, como letras, geografia e matemática. Em uma tentativa de aumentar esse percentual, a USP acaba de finalizar um projeto que pretende melhorar a qualidade dos professores de ensino médio da escolas estaduais.
A proposta é o primeiro passo para a realização de uma das grandes promessas do atual reitor da universidade, Adolpho José Melfi, que tomou posse no fim do ano passado. Sua política é a de, em vez de facilitar a prova do vestibular mais concorrido do País, melhorar o ensino dos estudantes que podem estar sendo barrados pelo exame.
A nova pró-reitora de graduação da USP, Sonia Penin, assumiu seu posto em dezembro com a função de recuperar o compromisso da universidade com o ensino médio público. Do projeto, participam profissionais de licenciatura de todas as unidades da instituição. Serão elaborados cursos de especialização nas diversas áreas, de línguas às ciências, para os professores. As dificuldades dos docentes podem ser notadas nas avaliações aplicadas aos alunos pelo governo do Estado, diz Sonia. Segundo dados da Secretaria da Educação, as maiores deficiências dos alunos estão nas áreas de matemática, ciências e língua portuguesa. O projeto da USP será apresentado e terá de ser aprovado pela secretaria, que tem cerca de 60 mil professores no ensino médio.
Mas o foco do programa é, sem dúvida, a utilização de mídias interativas, como vídeo e teleconferências, que permitem capacitar o maior número de profissionais. Os professores-alunos não precisarão se deslocar da periferia da capital ou de uma cidade no oeste do Estado, por exemplo, até a cidade universitária. Estúdios montados na Faculdade de Educação da USP devem gerar vídeos para os centros onde estarão os professores. Porém não será um curso de educação a distância, porque professores e alunos de pós-graduação da USP acompanharão o trabalho nas escolas, adianta Sonia. O currículo dos cursos também deve incluir atividades culturais para qualquer que seja a especialização.
Não adianta ser um bom professor de matemática no abstrato. Se ele não entender as características daquela escola, daqueles alunos e daquela região, não será um bom professor, diz a pró-reitora. É preciso fazer a capacitação centrada na escola. Ela explica que serão atendidos preferecialmente os locais onde os professores são considerados menos preparados.
A USP atualmente já realiza um programa nos mesmos moldes, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Pontifícia Universidade Católica (PUC), que está formando em nível superior 1.700 professores de 1ª a 4ª séries das escolas estaduais. Certamente esse novo projeto será aprovado, afirma a secretária da Educação, Rose Neubauer. Ela explica que a secretaria teria de pagar pelo serviço prestado pela USP, mas já há verbas reservadas para capacitação dos professores.


