Técnicos da Universidade de São Paulo (USP) instalaram ontem dois sismógrafos portáteis para verificar as possíveis causas dos tremores registrados nas últimas semanas no Jardim Califórnia (zona leste de Londrina). A previsão é que outros dois equipamentos sejam instalados hoje. Três equipamentos permanecerão a uma distância de cinco quilômetros do bairro, considerado como epicentro dos abalos. O quarto sismógrafo será colocado em pontos aleatórios escolhidos pelos técnicos ao longo da pesquisa. A localização exata das máquinas não será revelada.
"Esse equipamento, por ser muito sensível, identifica tremores do mundo inteiro. Se tiver um evento no Japão agora, nós vamos gravar aqui. Se você tiver uma movimentação intensa de pessoas em volta do equipamento, isso pode causar uma interferência no instrumento e encobrir o sinal da gravação", explicou o engenheiro eletrônico da USP, Luis Galhardo. O técnico trabalha no laboratório de sismologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), administrado pela universidade. Os equipamentos foram fabricados no Canadá e pertencem à USP.
A imprensa acompanhou a instalação de um dos sismógrafos. O equipamento é composto por dois instrumentos: um sensor que foi enterrado e um registrador que fica sobre o solo e faz a gravação dos movimentos da terra. O sensor possui três eixos, um vertical e dois horizontais, para determinar a direção do evento. O registrador funciona com a ajuda de uma bateria recarregável por energia solar.
Com a máquina, a movimentação do solo é gravada 24 horas por dia, sem interrupção. Os dados são registrados em uma memória interna e o download pode ser feito de forma periódica. Em uma das estações provisórias, será montado um sistema de telecomunicação para transmitir os dados em tempo real ao Centro de Sismologia da USP. Os técnicos da universidade não permanecerão em Londrina. "Tremor existe no Brasil inteiro. Esses eventos que estão acontecendo aqui são comuns", lembrou o engenheiro Luis Galhardo.
Desde o início de dezembro, quando a população sentiu os primeiros tremores, dois abalos sísmicos foram registrados pelo Centro de Sismologia da USP. O primeiro, de magnitude 1.8 na Escala Richter, ocorreu no dia 14 de dezembro. O segundo tremor, de magnitude 1.9, foi registrado no dia 1º de janeiro. Tremores de menor intensidade foram sentidos diariamente.
O geofísico da USP, Felipe Neves, informou que a conclusão dos estudos depende de novos tremores na região. "O terremoto é a liberação instantânea de energia. Assim que ele ocorre, as ondas são geradas e transmitidas assim como um pisão ou uma explosão. O sensor é capaz de medir essas vibrações. Quanto mais eventos ocorrerem, melhor. Correlacionando os sismogramas, a gente consegue confirmar se é um evento natural ou não", garantiu.
A instalação do equipamento foi acompanhada por integrantes da Defesa Civil do município e do Estado. "Essas magnitudes registradas não são magnitudes que nos preocupam do ponto de vista de catástrofe. […] Nós estamos em uma zona de baixo risco sísmico e não vemos motivos para desespero, embora saibamos que a população está traumatizada", comentou o geólogo José Paulo Pinese, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que também acompanha as investigações sobre a origem dos abalos.
Após a suspeita dos moradores de que os tremores teriam sido causados por obras recentes da Sanepar, a companhia também pretende colaborar com os pesquisadores. O gerente geral da região nordeste, Sérgio Bahls, destacou que todas as informações sobre o Sistema Tibagi e a geologia da área serão repassadas ao grupo de trabalho. "Estamos fazendo todo o estudo do projeto Tibagi, das alterações e equipamentos instalados. Temos as perfurações do Aquífero Guarani e do Serra Geral com informações sobre a formação geológica do subsolo", afirmou. A Sanepar pretende instalar cinco equipamentos na zona leste da cidade para medir a oscilação da pressão nas tubulações da companhia. (Colaborou Vítor Ogawa)

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