USP confirma terremoto na zona leste de Londrina
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Guilherme Batista e Rafael Souza<br> Reportagem Local 
O estrondo e o tremor de terra sentidos por moradores do Jardim Califórnia, na zona leste de Londrina, por volta das 6 horas de segunda-feira, foi causado por um abalo sísmico. O terremoto de pequena magnitude foi confirmado pelo Centro de Sismologia da Universidade São Paulo (USP). Pela medição, registrada pela estação de Fartura, no interior de São Paulo, localizada a cerca de 160 km de Londrina, o abalo teve magnitude de 1,8 na Escala Richter e aconteceu nas proximidades do Califórnia às 6h16. "Pelas coordenadas, o epicentro do abalo foi registrado a cerca de três quilômetros do bairro, mas essa diferença é perfeitamente normal, já que a estação responsável por identificar o tremor fica bem distante de Londrina e, por isso, não consegue medi-lo com exatidão", explicou o técnico em sismologia do Centro da USP, José Roberto Barbosa.
O horário do registro também aparece diferente no sistema de medição, conforme o técnico. "Em sismologia, a gente trabalha com a relação do Meridiano de Greenwich, que está três horas à frente do horário de Brasília. Por isso que o evento aconteceu às 6h16, mas aparece no site às 8h16", explicou Barbosa, lembrando que, atualmente, parte do País está no horário de verão.
O técnico confirmou ainda que os estrondos e tremores sentidos por moradores entre quinta-feira e domingo, ainda de menor intensidade, também podem ter sido causados por abalos sísmicos. "Mas, nesses casos, os eventos foram tão micro que a população nem os percebeu direito", completou.
Barbosa esclareceu que todo e qualquer tipo de abalo sísmico é causado pela tração das placas tectônicas. "Tensões se acumulam nas camadas do interior da terra e, de vez em quando, são liberadas e causam esses tremores. Os eventos são completamente naturais e não podem ser previstos", resumiu, acrescentando que, somente neste ano, o Centro de Sismologia da USP já registrou centenas de abalos semelhantes em todo o País. "A maioria acontece em áreas remotas e não é percebida. Mas, de vez em quando, o abalo é registrado em locais povoados e acaba sendo motivo de preocupação, ainda mais por não estarmos habituados com essa situação", frisou.
No caso do Jardim Califórnia, conforme o técnico, o abalo foi muito pequeno, mas acabou notado por ter acontecido muito próximo da superfície. "Não tenho como estimar a profundidade focal desse evento, mas a gente pode colocar que foi um tremor de terra bem perto do solo. Por isso causou tantos problemas e assustou os moradores", destacou.
O Centro de Sismologia da USP possui cerca de 90 estações de medição de terremotos espalhadas por todo o País. Na região de Londrina são três: uma no interior de São Paulo (Fartura) e mais duas no Paraná (Tijucas do Sul e Pitanga). O órgão também possui um serviço on-line voltado para quem perceber tremores de terra em todo o território nacional. "É interessante quando somos avisados porque conseguimos analisar as medições e descobrir se o relato foi realmente de um tremor de terra", observou Barbosa.
Em 2009, um episódio semelhante já havia sido registrado em Londrina. Na ocasião, no entanto, o terremoto não foi confirmado.
Acionada pelos moradores do Jardim Califórnia no dia do abalo, a Defesa Civil entrou em contato ontem com o Centro de Sismologia da USP e solicitou um mapeamento de toda a Região Morte do Paraná. "Seria mais para informação mesmo, para termos o registro, já que não há prevenção em casos como esse", disse o coordenador adjunto da Defesa Civil, major Wilson Paulino.
No início da tarde de ontem, o Corpo de Bombeiros de Assaí (Norte Pioneiro) registrou cerca de 30 ligações de populares notificando um estrondo semelhante a um terremoto perto do meio-dia. A Defesa Civil passou o relato ao Centro de Sismologia da USP, que faria um mapeamento para identificar um possível abalo.


