No domingo foi comemorado o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos. A data foi criada para alertar sobre as preocupações do Ministério da Saúde frente ao uso indiscriminado de medicamentos e a automedicação, que geram o risco de intoxicação, além destacar sobre a maneira correta de tomar remédios.
O uso irracional, além de gerar custos ao paciente, que pode não estar sendo tratado da maneira mais adequada e assim levará mais tempo para a cura, também onera o Sistema de Saúde. "Há o caso de uma pessoa que ficou tomando chá durante um bom tempo para curar gripe. Além de não curar, ela acabou tendo um quadro de pneumonia severa e ficou internada durante um mês. Um prejuízo para o organismo dela e um gasto para a saúde. Às vezes, ao invés de se ajudar, a pessoa está se prejudicando por querer se curar sem saber exatamente o que tem. Ela poderia ter evitado isso indo ao médico e tomando os remédios certos", observa a farmacêutica e consultora técnica do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Geisa Maria Grijó.
A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas para tratamento de doenças cujos sintomas são percebidos pelo usuário, sem a avaliação prévia de um profissional de saúde. A farmacêutica explica que remédios são mais perigosos do que parecem ser. "Têm pessoas que tomam dois comprimidos de remédio para dor de cabeça porque acham que um só não vai fazer efeito. As pessoas têm que entender que o medicamento também é uma droga. É um principio ativo de uma droga. Em excesso ou com mau uso pode trazer malefícios", explica.
Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso racional acontece quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade.
Seis coisas para você saber antes de se medicar, segundo o Ministério da Saúde:

1 - Medicamento ou remédio? Todo medicamento é remédio, mas nem todo remédio é medicamento. Remédio é qualquer cuidado que pode aliviar a dor ou ajudar a combater uma doença. Por exemplo: massagem, chá caseiro, fisioterapia, caminhada, acupuntura. Já medicamento é uma forma farmacêutica (cápsula, comprimido, xarope, creme, pomada, drágea, entre outros) produzida em laboratório e utilizada para prevenir ou corar doenças, ajudar nas funções do nosso organismo, aliviar sintomas de mal estar ou ajudar a detectar doenças.

2 – As tarjas das embalagens. Medicamentos com tarja preta: só podem ser comprados com a entrega da receita médica para o balconista ou farmacêutico. A compra é controlada pelo governo e, por isto, a receita fica retida e o comprador deve fornecer seus dados. Alguns medicamentos de tarja vermelha também seguem essa regra, que é indicada na embalagem pela frase "venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção da receita". Tarja vermelha: só podem ser comprados com a apresentação da receita médica. Sem tarja: esses medicamentos podem ser vendidos sem receita médica, mas só compre com indicação do seu médico ou orientação do farmacêutico.

3 – Embalagens – dicas para identificar falsificações. Nas caixas de medicamentos, geralmente nas laterais, existe uma área específica que deve ser raspada com um objeto metálico para verificar se o medicamento é autêntico. Sob a área resgada da embalagem deve aparecer o nome do laboratório fabricante e a palavra "qualidade". A caixa de medicamento e sua embalagem interna devem estar lacradas. Não compre o medicamento se o lacre de segurança estiver violado. Em caso de suspeita de falsificação denuncie para o dique saúde: 0800-611997

4 – Intoxicação – os medicamentos são responsáveis por mais de 30% das intoxicações humanas no Brasil. Não se arrisque. Procure sempre a orientação de um profissional de saúde.

5 – Alimentos x medicamentos. Um alimento não pode ser anunciado como responsável pela cura de doenças. Todos sabem que uma alimentação balanceada é indispensável para o alcance e manutenção de uma boa saúde, mas não se pode atribuir a um único alimento propriedades de cura e tratamento de doenças. Embora existam alimentos vendidos em formas tipicamento farmacêuticas (cápsulas, comprimidos, xaropes, entre outros), eles não devem ser confundidos com medicamentos.

6 – Propaganda – Os medicamentos são bens de saúde e não bens de consumo comuns (roupas, revistas, entre outros). Devem ser tratados como instrumentos de promoção, recuperação e manutenção do bem-estar, portanto, não podem ser anunciados como produtos de livre mercado. A propaganda deve veicular informações exatas e fidedignas, indicações, composição, efeitos terapêuticos e tóxicos, além de não difundir informações incompletas sob o produto. A publicidade só é permitida para os medicamentos de venda sem prescrição médica. É proibido fazer propaganda de medicamentos com tarja vermelha ou preta. Estes produtos só podem ser anunciados para profissionais de saúde que podem receitá-los. As propagandas de medicamentos sem tarja devem apresentar, obrigatoriamente: nome comercial do medicamento; nome do princípio ativo; número de registro na Anvisa; contraindicação principal; a advertência: "a persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado".

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