Uso racional de água de lago vira compromisso
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de junho de 2003
Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Municípios vizinhos ao Lago de Itaipu e a Itaipu Binacional assumiram compromisso ontem de formar uma rede de conscientização em defesa do uso racional da água na região, em especial a do reservatório. O acordo foi firmado durante o 1º Encontro Cultivando Água Boa, promovido em Foz do Iguaçu, com a presença da cúpula da usina e do governador Roberto Requião (PMDB).
Segundo os organizadores, cerca de mil pessoas participaram do evento, entre agricultores, pescadores, prefeitos e representantes de instituições de ensino e das comunidades indígenas. O teólogo Leonardo Boff falou dos Valores humanos e ação ecológica, e o jornalista Washington Novaes discursou sobre Gestão ambiental e territorial.
A Itaipu Binacional quer envolver a comunidade para preservar os mais de 1500 rios e córregos que deságuam no lago pela margem brasileira. Por isso, a hidrelétrica estenderá sua gestão ambiental, que abrange 16 municípios, para 28 cidades do Oeste, cujas sub-bacias hidrográficas deságuam diretamente no reservatório.
O encontro marcou o lançamento, por parte da hidrelétrica, do projeto ambiental para combater o assoreamento, que ameaça a qualidade da água de seu reservatório. Segundo a usina, somente o rio São Francisco Falso despeja 17 mil toneladas de sedimentos anualmente no reservatório, quantia correspondente a 1.133 caminhões com 15 toneladas cada.
Para o teólogo Leonardo Boff, o bem mais escasso no mundo não é o ouro nem o petróleo, mas, sim a água potável. Boff lembrou que, de toda a água doce existente no mundo, somente 0,7% é acessível ao ser humano. Deste total, 70% vão parar na agroindústria e 20% nas grandes indústrias. Só 10% são destinadas ao consumo humano.
Quase metade da população do mundo sofre com a escassez da água. Cerca de 80% das doenças registradas em países pobres são decorrentes de problemas de contaminação da água. A água é um bem fundamental. É ela que vai definir o futuro da humanidade, acrescentou Boff. Em sua opinião, a Sede Zero deve ser incluída como prioridade no governo federal, a exemplo da Campanha Fome Zero.
Conforme Washington Novaes, a água tem de ser tratada do ponto de vista político, pois não se trata apenas de proteger o meio ambiente, mas de encontrar formatos institucionais elegais para enfrentar limites já superados ou próximos disso e que ameaçam a vida. Segundo ele, existem hoje no mundo 2,5 bilhões de pessoas sem acesso a formas adequadas de energia e a demanda mundial cresce 2,5% ao ano.


