Uso incorreto de antibióticos
pode ter graves consequências
O cuidado maior dos pais para evitar que seus filhos acabem desenvolvendo uma estreptococcia (doença provocada pela streptococcus) deve se concentrar no uso adequado de antibióticos. Uma conduta muitas vezes comum entre os pais é responsável pelo surgimento destas doenças: interromper o tratamento com antibióticos antes do tempo correto.
A infectologista Jaqueline Capobiango faz um alerta aos pais para que não façam uso abusivo de antibióticos e para que, ao iniciar um tratamento, sigam à risca o tempo de uso do medicamento prescrito pelo médico. ‘‘O tratamento de infecções de garganta com antibióticos leva 10 dias, nem um dia a menos’’, ressalta. Quando um tratamento é interrompido assim que os sintomas melhoram, como o de uma dor de garganta, por exemplo, a bactéria não é erradicada.
Nestes casos a criança, além de continuar transmitindo a streptococcus, pode ser acometida por uma infecção mais grave. A infectologista lembra ainda que a streptococcus além de causar as complicações infecciosas leves ou graves, é responsável por complicações tardias que podem se manifestar até um ano depois de uma simples dor de garganta, como febre reumática e nefrite, por isso é fundamental o uso correto de antibióticos.
Em torno de 25% das infecções estreptocóccicas podem se apresentar sem sintomas comuns de dores de garganta, mas apenas com febre, dores musculares e prostração. Por isso diante de um quadro destes é muito importante não medicar a criança sem uma consulta médica.
A infectologista também alerta os pais para o uso de medicamentos sem prescrição médica. Ela afirma que o uso de antiinflamatórios em quadros de estreptococcia pode desencadear quadros graves, como a síndrome do choque tóxico. Isto ocorre porque o antiinflamatório apenas melhora os sintomas prejudicando a resposta do organismo para bloquear a infecção.
Outra consequência do tempo incorreto de tratamento e do uso abusivo de antibióticos, inclusive para quadros não bacterianos, é a criação de bactérias resistentes, aumentando as possibilidades de uma simples dor de garganta evoluir para um quadro grave.
‘‘Não existe resistência da Streptococcus pyogenes à penicilina. Infelizmente a população tem receio do uso da Benzetacil (penicilina) que em uma única dose trata as infecções leves’’, afirma. A infectologista salienta ainda a importância em não se menosprezar uma febre por mais simples que seja, e procurar um médico para o diagnóstico.
‘‘Setenta por cento a 80% dos casos de faringite e amigdalite são de origem viral que não necessitam de medicamento específico, porém é fundamental consulta médica para saber se o quadro é viral ou bacteriano’’, orienta a médica. (E.P.)

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