Uso errado de gás fere empresário
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 1997
Edmara Michetti 
A troca irregular do gás freon pelo gás de cozinha em equipamentos de refrigeração causou queimaduras de primeiro e segundo graus e ainda afetou a audição do microempresário Antonio Augustinho dos Santos. Dono da Refrigeração Sem Nome, Santos trocava o motor de um equipamento com gás GLP quando o freezer explodiu.
Santos afirma que conhece vários outros casos de acidentes, em proporções menores, ocorridos devido à troca de gás nos equipamentos e alerta que a prática vem se tornando mais frequente há um ano. O perigo é muito grande na cozinha de uma residência, onde a geladeira geralmente está perto do fogão.
O gás refrigerante é substituído pelo GLP nos equipamentos de refrigeração pela diferença de preço. Com o preço de um quilo de gás freon dá para comprar quase um botijão de 13 kg de gás de cozinha. Enquanto um botijão de gás de cozinha com 13 kg custa R$ 7,50, o quilo de gás freon custa R$ 6,50. Usando o GLP o lucro é bem maior para quem faz o conserto. Santos alerta que o próprio prestador de serviço pode sofrer as consequências da irregularidade se durante o serviço se houver um vazamento no sistema. Ele vai ter que soldar novamente e aí pode explodir.
O empresário Luiz Darol Netto, dono do estabelecimento onde ocorreu o acidente não sabia da sacanagem, como ele próprio denominou. Eu nem sabia que gás de cozinha gelava. Apesar dos machucados do Antonio tivemos sorte porque ele poderia ter ficado cego e poderia ter pegado fogo na casa, reclama. Ao lado do freezer que explodiu, há vários botijões de gás. Antes da Sem Nome, outra empresa fazia a manutenção nos equipamentos do estabelecimento, mas Darol Netto não sabe se a reposição do gás foi feita por ela.
Santos orienta para que a troca de gás seja acompanhada de perto pelo consumidor, se a idoneidade da empresa contrata for desconhecida. Só pelo cheiro é possível identificar o gás, já que, ao contrário do GLP, o freon não tem nenhum cheiro. Além disso, o freon não é inflamável e, na dúvida, o cliente pode pedir para que o técnico faça um teste na sua frente.


