Pelo menos metade dos casos atendidos nas unidades básicas de saúde poderiam ser curados com a fitoterapia. Segundo o pesquisador do Iapar, Paulo Guilherme Ribeiro, pesquisas comprovaram que a grande maioria das consultas feitas nos postos de saúde são decorrentes de doenças infecto-contagiosas principalmente das vias aéreas superiores, como gripes e pneumonias. Dividem ainda a rotina dos postos os casos de diarréias, disenterias, dispepsias, problemas hiper-arteriais leves e contusões.
‘‘Para todos estes casos existem plantas medicinais adequadas e de eficácia comprovada cientificamente. Se administradas na dosagem e com periodicidade correta, o resultado pode ser igual ou melhor do que o conseguido com um medicamento químico’’, diz. Ele informa que, pelo menos, 1/4 dos medicamentos existentes no mundo ainda derivam diretamente de plantas.
Ele conta que uma empresa do Paraná implantou atendimento através da fitoterapia e conseguiu reduzir para 1% o índice de internamento entre os funcionários que adotaram o novo sistema. A empresa constatou ainda uma melhora sensível da qualidade de saúde geral e a redução de doenças. Ribeiro cita como exemplos de experiências bem sucedidas o Centro Nordestino de Medicina Popular, em Pernambuco, onde um grupo de médicos implantou a fitoterapia com excelentes resultados para a comunidade local. Em Medianeira (PR), a Pastoral da Criança também desenvolve um trabalho de fitoterapia e montou um laboratório para manipulação e estudo de novos produtos derivados de plantas medicinais.
Apesar dos resultados positivos das experiências realizadas com a fitoterapia em vários locais do País, Ribeiro acentua que o poder público não tem demonstrado interesse político na sua implantação. ‘‘O único caminho possível para viabilizar o acesso da população à fitoterapia ainda continuam sendo as redes municipais de saúde.’’ Ele diz que enquanto o Sistema Único de Saúde (SUS) não ‘‘abraçar’’ a fitoterapia como alternativa sustentável de promover saúde, os trabalhos vão continuar sendo feitos de forma isolada, sem atingir o objetivo principal: garantir tratamento em quantidade e qualidade a baixo custo para toda a população.
Ribeiro deixa claro, no entanto, que a fitoterapia não elimina a necessidade da consulta, prescrição e acompanhamento médico. ‘‘A planta age de forma eficaz até certo ponto. Só o médico pode decidir a partir de quando é necessário intervir com os medicamentos químicos.’’ O pesquisador reforça que mesmo as plantas medicinais podem ter contra-indicações e, em dosagem errada, acarretar intoxicação ou ineficácia.
(Célia Baroni)

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