Marcos Negrini




Em desacordoTerreno
doado
para a
construção
de um templo
religioso
(acima)
abriga também
duas casas;
a missionária
Maria das
Neves cuida
do templo e
vive numa
das moradias,
que foi
construída
com recursos
próprios




Uma comissão formada por um advogado, um topógrafo, um técnico da Secretaria de Meio Ambiente e um fiscal da Prefeitura de Maringá vai avaliar a partir da semana que vem os terrenos que foram doados à comunidade. O objetivo é identificar e retomar os terrenos que estão em desacordo com a lei de doação.
Segundo o vereador Basílio Bacarin (PSDB), dos 300 terrenos doados pela prefeitura, cerca de 70 têm algum tipo de irregularidade. A mais comum é o uso indevido do terreno. A comissão se reúne amanhã com os vereadores para definir um plano de ação que possa identificar em curto espaço de tempo os terrenos irregulares.
Na primeira avaliação feita pela Câmara, a principal dificuldade dos vereadores foi identificar com precisão os terrenos doados à comunidade. ‘‘Há terrenos que a gente não sabe onde começam e onde terminam, por isso a comissão vai contar com um topógrafo’’, explicou Bacarin.
Ele acompanhou os trabalhos de identificação dos terrenos doados e disse que em alguns casos a área solicitada por uma entidade, igreja ou sindicato para a construção de uma sede é duas ou até três vezes maior do que a necessária para abrigar as obras. Ele cita o caso do terreno doado no Jardim Copacabana para a Igreja Evangélica Missionária Só o Senhor é Deus. A área doada, conforme a lei aprovada e sancionada, deveria servir para a construção de um templo religioso. ‘‘No local, entretanto, há uma igreja pequena e duas casas’’, denunciou Bacarin.
Uma das casas pertence à missionária Maria das Neves Rosa, 52 anos, que é responsável pela igreja. Ela disse ontem que vendeu um carro da família para construir a casa e que o marido dela, que é pedreiro, foi o responsável pela obra. Ela não soube explicar de quem era o terreno. A segunda casa também é ocupada por um missionário. O presidente da igreja, missionário Miranda Leal, foi procurado pela Folha. Ele estava na Rádio Difusora de Londrina, mas conforme um funcionário, não pôde atender porque participava de uma reunião.
Por causa das irregularidades encontradas, a Câmara de Vereadores suspendeu a apreciação de todos os projetos que tratam de doação de terrenos. A idéia, disse Bacarin, é criar critérios mais rigorosos na doação de terrenos à comunidade. Ele defende, por exemplo, a exigência do projeto de construção da obra desejada pela entidade que solicitar a doação do terreno. ‘‘Desta forma será possível verificar se os terrenos pedidos são compatíveis com os projetos de obras’’, explicou.

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