Uso de remédios é prova de tabu
A procura dos jovens pelos medicamentos para impotência seja Pramil, Viagra ou qualquer outro é um exemplo do tabu que ainda ronda a sexualidade masculina. ''Muitos jovens e adultos não conhecem o próprio corpo. Muitos vêm aqui cheios de medos e ao conversar percebem que são 'normais'. Aí a vida sexual desabrocha'', garante o urologista, Celso Fernandes Júnior. Ele sugere que os homens busquem esclarecimento médico. ''Não dá nem para dizer para os pais conversarem com os filhos. As vezes, eles esconderam medos sexuais a vida inteira. Como vão orientar outra pessoa?'', questiona.
O médico Silvio de Almeida complementa: ''O homem precisa entender que pode e vai falhar ao longo da sua vida sexual. Só que se o caso for físico, o problema vai ser crônico, aí é preciso um medicamento que será recomendado pelo especialista''. Ele ainda chama a atenção para uma possível dependência das pílulas. ''Isto não acontece do ponto de vista químico, mas é possível que um jovem passe a acreditar que só consegue a ereção se tomar o remédio. Aí vira uma dependência psicológica'', explica.
Já Fernandes Júnior não acredita em dependência, mesmo que psicológica. ''Com maturidade e experiência, o jovem vai deixando de usar estes remédios porque percebe que não precisa deles. Deixa de se preocupar com a quantidade e passa a investir em qualidade'', argumenta. Ele defende que durante essa fase de inexperiência, os rapazes só querem ter o comprimido no bolso para qualquer eventualidade. ''É a arma no porta-luvas do carro em caso de ser surpeendido com um assalto'', compara.
Nas farmácias da cidade, o aumento na busca por remédios para impotência entre os jovens é percebida pelos vendedores. Numa consulta às principais lojas da região central que funcionam 24 horas, a reportagem constatou que a procura começa na quinta-feira a noite e segue até domingo. ''Pelo que a gente percebe, esses meninos tem ilusão de que as pílulas vão aumentar o apetite sexual deles, mas a gente fala que nessa idade isso não é preciso''. Apesar das solicitações da reportagem, as farmácias não revelaram números das vendas, sob a justificativa de ser um medicamento caro e que atrai a atenção de assaltantes. (G.B.)





