Uso de receita divide médicos
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quinta-feira, 18 de junho de 1998
Adriana Ribeiro 
A exigência da receita médica para a compra do Viagra divide a opinião de especialistas. Enquanto alguns acreditam que o medicamento que vem sendo considerado o milagre do século deva ser vendido livremente, outros discordam afirmando que a medida poderia colocar em risco a saúde e até a vida de pacientes.
Num artigo publicado ontem na imprensa, o professor aposentado de Farmacologia da Universidade de São Paulo, Antônio Carlos Zanini, diz que a obrigatoriedade de receita médica vai agravar um problema que já é comum: a falsificação.
O professor acredita que os próprios médicos correriam o maior risco, já que poderiam ter seus nomes utilizados sem nem chegar a saber. Se a polícia põe na cadeia até inocentes cuja carteira de identidade foi roubada, restam poucas dúvidas de que, assim que surgir um médico com muitas receitas falsificadas, também será punido, talvez até com a perda do diploma, diz.
O cardilogista Mário Sérgio Júlio Cerci, diretor do Hospital do Coração, não tem a mesma opinião. Ele diz que a falsificação de receitas pode acontecer, mas não para a prescrição do Viagra. Não acho que a procura pelo medicamento esteja tão acentuada para acontecer isso, comenta. Além disso, Cerci comenta que o fato do Viagra ser um medicamento que não causa dependência física ou psíquica, também faz com que essa possibilidade seja descartada.
O cirurgião vascular Márcio Dantas de Menezes acha que a falsificação de receitas para a compra do Viagra pode acontecer, assim como acontece com outros remédios. Menezes é contra a venda do remédio sem receita médica, como acontece em algumas regiões dos Estados Unidos, onde é fabricado. A associação do Viagra com outros medicamentos pode levar o paciente à morte, segundo o cirurgião.


