Uso de piercing cria conflito em escola
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quinta-feira, 28 de abril de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Uma norma do regimento interno do Colégio Estadual Newton Guimarães, na área central de Londrina, proibindo o uso de piercing nas suas dependências, criou um conflito entre a direção da instituição e a família de uma aluna, que se prepara para entrar com ação na Justiça. A proibição do acessório foi incluída no regimento há sete anos, e essa é a primeira vez, segundo os diretores, que é contestada. Em assembléia realizada na semana passada, a maioria dos pais mostrou-se favorável à manutenção da regra.
Os desentendimentos teriam começado em uma reunião com pais de alunos no dia 23 de fevereiro, quando a enfermeira Neide Batista Venturini não concordou com a forma como o assunto foi tratado pelo diretor Roberto Braz Aparecido Cabrera. Ao final da reunião, os dois chegaram a discutir na frente de outros pais e o diretor ordenou que a aluna saísse da escola naquele dia. A mãe diz não se conformar com a postura da direção do colégio, e afirma que desde o começo tenta resolver o problema através do diálogo.
Escola e família chegaram a procurar a Vara da Infância e da Juventude, e Neide foi aconselhada a buscar uma solução para o impasse por vias judiciais. Até que o assunto se resolva, a aluna, que cursa a 8 série, está entrando na escola exibindo o adorno.
Enquanto a enfermeira acusa o diretor e a vice-diretora da escola, Sueli Aparecida Lopes Braga, de autoritarismo e desinformação, ambos argumentam que estão respeitando a vontade da maioria dos pais. No último dia 20 a escola promoveu uma assembléia, onde, entre outros assuntos discutidos, colocou-se em votação se a norma deveria ser mantida. De acordo com os diretores, 86% dos presentes, incluindo alunos maiores de 18 anos do período noturno, decidiram pela manutenção da regra. ''Ali, os pais tiveram a chance de mudar o regimento, mas não mudaram'', diz a vice-diretora.
Segundo Sueli, a direção chegou a cogitar, antes da assembléia, que o regimento fosse alterado. ''Fomos para a assembléia prontos para mudar o regimento, se essa fosse a vontade da maioria dos pais. Para nós é ruim que alguns não estejam cumprindo uma norma que existe para todos.'' A vice-diretora revela que ''gostaria que a regra fosse mudada, embora, pessoalmente, não seja a favor do piercing''. ''Não gostamos de ver alunos contrariados, mas como educadores, temos que alertar para os riscos'', completa o diretor.
Roberto argumenta ainda que a escola tem um padrão de funcionamento que a faz diferente das demais, e que a situação criada está colocando em cheque o respeito que a escola tem na comunidade. ''Sabemos que não estamos fazendo mal aos alunos impedindo que eles usem piercing aqui dentro, muito pelo contrário. Temos pareceres que falam do perigo do uso do piercing durante a prática de atividades físicas, por exemplo, e reportagens que afirmam ser cancerígeno. Nós só pedimos que as pessoas respeitem nossas regras'', diz o diretor.
O advogado e membro do Conselho Escolar do colégio, Vilson Machado, questiona a forma como o assunto vem sendo tratado na escola. ''Fizemos uma reunião do Conselho e foi definido que seria realizado um plebiscito para decidir sobre a manutenção ou não desta proibição no regimento. Além disso, o assunto seria encaminhado por uma comissão, que se encarregaria, inclusive, de ampliar o debate com a população. Mas não foi o que aconteceu.''


