Curitiba - Servidores, funcionários e profissionais da área da saúde do Paraná serão proibidos de usar jalecos e equipamentos de proteção hospitalar estabelecimentos comerciais destinados a servir refeições, como bares e restaurantes. As exceções ficam por conta das lanchonetes localizadas dentro dos hospitais. O projeto que trata do assunto foi sancionado semana passada pelo Executivo e entra em vigor no dia 12 de junho.
A restrição do uso de jalecos já era tratada pela Norma Regulamentadora NR-32 do Ministério do Trabalho, porém não havia inspeção. A nova lei estabelece que a fiscalização seja de responsabilidade da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Margot Schmidt, coordenadora do departamento, explica que a inspeção será descentralizada, ficando ao encargo das secretarias municipais de saúde, inclusive a aplicação da multa ao infrator, estabelecida em R$ 193,72.
A enfermeira Rosemeire Szychta, que trabalha no serviço de controle de infecção hospitalar do Hospital Evangélico em Curitiba, diz que o risco de infecção é real e prevê maior adesão por parte dos médicos. Ela diz que boa parte dos profissionais da saúde não vê o jaleco como um material contaminado, que traz riscos à saúde do paciente de baixa imunidade. Para Rosemeire, a lei será uma aliada na cobrança.
Um ''estardalhaço'' foi o termo utilizado pelo médico residente em Radiologia, Thiago André Adame, sobre o assunto. Ele pondera que, se a preocupação é poupar o paciente com baixa imunidade, o procedimento mais ajustado seria a assepsia (higienização intensa) das mãos. Ir ou não de jaleco ao restaurante que frequenta, na opinião do residente, é irrelevante. ''A lei serve para atender o clamor dos leigos. Eu sou a favor mas não tem porquê. Tinha que fazer uma lei para ser obrigatória a assepsia para quem vai ter contato com o paciente'', diz.
Conduta
A médica residente em Pediatria, Amanda Kliemann, diz que a falta de cuidado com o jaleco é culpa é da correria da profissão. Com a lei, ela acha que irá se esforçar mais para corrigir a conduta. Para o cirurgião cardíaco Dalton Vinícios Liedke ''houve demora na fiscalização mais rígida do uso dos jalecos''.
Margot garantiu que a lei não ficará só no papel. Em contato com a Procuradoria Geral do Estado, a Sesa já mobiliza o preparo do decreto para regulamentar a lei. No texto, diz Margot, estarão especificadas as linhas de ação. ''Haverá uma estratégia para que a lei seja cumprida. Nos hospitais as bactérias estão cada vez mais resistentes aos antibióticos. A falta de cuidado pode gerar infecções originadas de organismos multirresistentes'', finaliza.

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