O presidente da subseção da Ordem dos Advogados de Londrina (OAB), advogado Adyr Sebastião Ferreira, diz que é impossível dar certo a tentativa do secretário de Justiça e Cidadania, José Tavares, de usar os escritórios de aplicação das faculdades públicas de Direito para atendimento da advocacia dativa no Paraná. ‘‘Não tenho a menor esperança que o Escritório de Aplicação consiga atender à demanda da advocacia dativa. Como exemplo lembro que a Subseção da OAB em Londrina oferecia serviços em tempo integral diariamente, com a atuação de 150 advogados credenciados’’, argumenta Adyr.
Por outro lado, ele afirma que o Escritório de Aplicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) conta somente com 16 professores (advogados), sujeitos a horários de trabalho e férias regulamentares. ‘‘Quanto aos estudantes, que também serão aproveitados, eles não podem nem sequer assinar petições e não possuem experiência na advocacia de campo.’’
Há 15 dias, o secretário José Tavares, após falar com o governador Jaime Lerner (PFL), anunciou que o governo não retomaria mais o convênio com a OAB. O secretário disse que a medida foi provocada pelos altos custos do convênio e as necessidades de contenção de despesas do Estado. Ele afirmou que a parceria com as faculdades de Direito irá render uma economia anual de R$ 1,8 milhão. José Tavares reconhece que a parceria com as faculdades não é o ideal, mas é o que o Estado pode fazer atualmente para atender uma parte da população carente.
‘‘Sou amigo há mais de 30 anos do secretário Tavares. Me custa dizer que esta realidade amarga que ele está propondo para a população carente é mais uma solução de retórica para apenas ganhar tempo’’, afirmou Adyr Ferreira. Ele disse que a média de atendimento pela OAB era de 30 pessoas por dia. Para Adyr, o Escritório de Aplicação não vai absorver 5% desta demanda. ‘‘Lembro que povo sem acesso à Justiça é povo no deserto. O governo do Paraná está deixando a sua população carente no deserto.’’

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