De acordo com o professor Dartagnan Pinto Guedes, a prevalência do uso de drogas ilícitas é alto no meio universitário, mas não o maior. "A verdade é que a droga chama mais atenção por ter consequências imediatas para a sociedade, mas outros comportamentos mais silenciosos, como por exemplo, o sedentarismo, também são preocupantes", salienta.
Ele explica que também existe uma relação entre comportamento e a escolha do curso. "Por exemplo, se o indivíduo opta por um curso que é tempo integral, ele tem menos tempo de convívio fora da instituição e, portanto, é fruto do meio universitário e alguns fatores podem intervir nessa situação", afirma.
A estudante do curso de Engenharia Elétrica Dayanne Proença, de 21 anos, concorda com a afirmação do pesquisador. Ela comenta que o fato do curso ser integral, preenche grande parte de seu dia. "Quando chego em casa, dificilmente estou disposta a praticar uma atividade física. Então, acabo não me exercitando", revela.
Outro fator associado à vida universitária, segundo Dartagnan é a alimentação inadequada, considerando o curto tempo que muitos estudantes têm para refeições. "Moro no centro e para não perder tempo, muitas vezes almoço no campus. Em semana de prova é comum eu trocar a refeição por um salgado", conta Deise Vieira Oliveira, estudante de Medicina Veterinária.
"Em geral, a vida universitária é cheia de escolhas. Às vezes, é preciso abrir mão de um trabalho remunerado para se dedicar só aos estudos. Além disso, tem muitas festas e todo mundo faz novas amizades. É preciso saber o limite. Medir as consequências", comenta o mestrando em Engenharia Elétrica Maurício Moreira.

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