Uso de drogas é associado a outros crimes
Com apenas 22 anos, o londrinense Marcelo (nome fictício) já esteve preso no 2º Distrito Policial (DP), no 5º DP, na Casa de Custódia de Londrina (CCL), na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e na cadeia de Rolândia. Embora tenha sido autuado por vários furtos e roubos, ele afirma que a origem de todos os crimes foi justamente um que não ''dá cadeia'': o uso de drogas.
''Comecei na maconha, com 12 anos. Depois experimentei crack, zuca, cocaína, mesclado (maconha com crack), só não usei agulha. O vício ia ficando cada vez mais caro e eu tinha que roubar para pagar. De vez em quando até vendia droga para cobrir dívidas'', conta Marcelo, que hoje se diz livre da dependência e cumpre pena com o pagamento de cestas básicas.
Casos como o dele são comuns no Patronato Penitenciário de Londrina, que intermedia o cumprimento de penas alternativas. Muitos chegam ao órgão com tamanha dependência química que nem podem ser encaminhados para a prestação de serviços na comunidade. ''Aqui um grupo de profissionais avalia o grau de periculosidade do indíviduo. Dependendo, não pode ser colocado em uma escola ou posto de saúde, onde poderá ter acesso a entorpecentes'', explica o diretor do Patronato, Tadeu Migotto.
Marcelo diz que nunca foi obrigado - nem pela família, nem pelo Estado - a fazer tratamento contra as drogas. ''E se fosse internado, com certeza eu fugia. Foi na PEL que consegui me livrar do vício. Lá dentro você tem dois caminhos. Se quiser droga, tem droga. Mas se quiser estudar e trabalhar, também tem a chance. Foi o que escolhi.'' (V.N.)





