Uso de crack cresce 442% em dois anos
O consumo de crack em Curitiba cresceu 440% de 1996 a 1998, segundo levantamento do Centro Antitóxicos de Prevenção e Educação, da Delegacia de AntiTóxicos. Apenas de 1997 para 1998, o consumo da droga aumentou 218%. Maconha e cocaína, no entanto, tiveram redução de 8% e 26%, respectivamente, conforme o mesmo estudo. O trabalho, elaborado pela psicóloga e coordenadora do centro, Marly Beluba, é baseado nos atendimentos a viciados.
O levantamento mostra que em 1996, 62,75% dos viciados que passaram pelo centro usavam maconha; 34,02%, cocaína; e somente 3,23%, o crack. Em 1997, o índice de usuários de maconha subiu para 70,55% e o de crack, para 5,48%. Já os viciados em cocaína foram 23,97%. No ano passado, a taxa de usuários de maconha baixou para 57,56% - caiu em 13 pontos. Já a cocaína subiu para 25% e o crack para 17,44% - 14 pontos maior do que em 1996.
Os números comprovam o que as autoridades locais denunciaram em todo o ano passado: o crack tomou conta das ruas da capital. Ao contrário do que se pensava, no entanto, não são somente os meninos de rua que perdem o rumo por causa da pedra, considerada altamente viciante. Conforme Dayse do Rocio Kaviski, assistente social do centro, empresários bem sucedidos estão sendo surpreendidos com os filhos à beira do vício, quando não já viciados.
Um outro engano, é pensar que os drogados não têm ocupação. O levantamento revela que, em 1996, 70,53% dos usuários tinham ocupação - trabalho ou estudo. Esse número creceu nos dois anos seguintes. Em 1997, foi de 71,34%. Em 1998, 72,08%.
Se possuem trabalho ou estudo, o que os viciados não têm é instrução. Em 1996, 53,66% tinham apenas o 1º Grau. Em 1997, o índice subiu para 63,84% e caiu para 61,32% no ano seguinte. Nos três anos, menos de 10% dos usuários tinham 3º Grau - em 1998 foram 3,77%.
O que preocupa a polícia e deve deixar os pais em alerta, é que o consumo cresceu exatamente entre os adolescentes. De 1996 a 1998, o índice cresceu 205% em adolescente com 10 a 15 anos. Neste período, o menor índice de crescimento foi entre jovens de 15 a 20 anos: 37,16%. A segunda maior taxa foi entre adultos de 25 a 30 anos: 53,91%.
O estudo também mostra que a maioria dos viciados é do sexo masculino: 84,18% em 1996; 84,38% em 1997; e 85,85% em 1998. Mas, segundo Dayse, o número de meninas envolvidas com as drogas cresceu no final de 1998 e começo deste ano.





