Uso de contêiner em delegacia será denunciado ao MP
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domingo, 08 de julho de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos no Paraná, Narciso Pires, disse que o movimento vai denunciar a situação dos seis presos de Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba) que estão sendo mantidos desde fevereiro em um contêiner ao Conselho Estadual de Direitos Humanos. Além disso vai acionar o Ministério Público solicitando providências imeditas para o caso.
O delegado do município, José Carlos de Oliveira, decidiu trancar os presos segundo ele, de alta periculosidade no contêiner para evitar fugas. A Secretaria da Segurança Pública estuda a possibilidade de copiar a iniciativa em penitenciárias, alegando que é uma forma de conter a superlotação. Pires classificou a atitude do delegado como barbaridade. Sobre os planos da secretaria, Pires disse que é o reconhecimento da falência do sistema prisional. Daqui a pouco o governo vai querer construir jaulas para os presos, alegando que é mais rápido e barato, criticou. Quando o Estado viola a lei (no caso os direitos humanos) é muito mais grave do que o indivíduo que comete um delito, porque o Estado é o guardião da lei.
O que fere os direitos humanos é deixar preso amontoado, rebateu o delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro. O uso do contêiner como cárcere já foi condenado pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná (OAB-PR), José Hipólito Xavier da Silva.
O secretário da Segurança, José Tavares, disse que aguarda relatório sobre a alternativa encontrada em Fazenda Rio Grande. Ele pretende implantar um projeto piloto. É uma saída como medida de emergência, para reduzir a superlotação, disse. A demanda no Paraná é de 1,5 mil vagas. Mesmo com a construção das novas unidades em Piraquara (RMC), Londrina e outras no Interior, serão oferecidas 1.160 vagas.


