Uso de biotecnologia no aterro é descartado
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Atraente, mas sem uma previsão para ser implantada na prática. Essa foi a avaliação feita ontem por representantes do poder público municipal a respeito de uma técnica que trataria, com recursos da biotecnologia, o atual aterro sanitário, na Estrada do Limoeiro (Zona Leste). A apresentação foi feita na Câmara de Vereadores pelo diretor do Sindicato de Biotecnologia (SindBio) de Minas Gerais, José Mário Queiroz Lima, a representantes da Comissão de Meio Ambiente da Casa, da comunidade, da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
De acordo com Lima, a biorremediação consiste basicamente no aproveitamento das bactérias do rúmen bovino (alimentos que voltam do estômago à boca, no processo digestivo do animal) para o tratamento da parte orgânica do lixo. Como resultado, é criado um composto capaz de ser utilizado em plantações. ''Tratando o lixo, evita-se que ele se acumule e se aumenta a vida útil desses aterros para mais 15 anos, já que abre espaço físico'', explicou. Do total a ser tratado, acrescentou, a técnica recupera 78%.
Integrante do setor de fiscalização e licenciamento do IAP, Eliton Bembem frisou que já existe uma lei estadual fixando prazo para até o fim deste ano para que as prefeituras se adequem ao tratamento de lixões e aterros. Além disso, a situação do aterro de Londrina já não permite o depósito de mais lixo. ''A área está dentro do perímetro urbano e, como não conta com impermeabilização do lixo, corre ainda o risco de contaminar a vizinhança'', afirmou. Segundo ele, já foram feitas análises de impacto ambiental em três terrenos (nas zonas Sul e Oeste), mas ainda não foi decidida qual receberá o novo aterro.
Segundo o presidente do Consemma, Odir Antunes Siqueira, a decisão depende de avaliação técnica e jurídica. ''Convocaremos a comissão segunda que vem para debater com a comunidade. Prolongar o uso do atual terreno é impossível'', disse. Já para a diretora operacional da CMTU, Rosemeire Suzuki Lima, a biorremediação só poderá ser utilizada em um novo aterro. ''O atual está ativo desde 1975, e 350 toneladas ao dia, naquele lugar, é demais'', avaliou.


