Uso de anticoncepcional e cigarro pode causar derrame
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Reportagem Local 
Brasília - A agente de trânsito de Brasília que pediu para não se identificar é fumante e usa anticoncepcional. Há quase um ano, ela sofreu um derrame, mas não teve sequelas. "Na verdade eu não falei para o médico que eu fumava. Eu só fumo quando estou bebendo, mas eu não falei para o médico que eu fumava. Eu não falei nada. Posso até na próxima consulta informar. Você quer saber a verdade mesmo? Eu não penso em falar porque eu não penso em parar, então ele vai me mandar parar. Por isso que eu não penso em falar."
O médico pneumologista da Divisão de Controle do Tabagismo do INCA, Instituto Nacional do Câncer, Ricardo Meirelles, explica que o derrame sofrido pela agente de trânsito pode ter sido provocado pela combinação do cigarro com anticoncepcional. "Mulheres que fumam e usam pílula anticoncepcional têm um risco maior de ter problemas vasculares e ter até trombose, então, tem que ter muito cuidado e ser sempre avaliada pelo seu médico", alerta. Segundo Meirelles, a associação do anticoncepcional com o tabagismo, propicia um aumento muito grande da possibilidade de derrame cerebral e de infarto agudo do miocárdio. "Então, se a mulher é fumante e usa o anticoncepcional, ela tem que parar um dos dois. De preferência com o cigarro. Mas ela não pode fumar e usar o anticoncepcional porque está usando uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento e ela pode ter um problema sério de saúde", acrescenta.
O Sistema Único de Saúde (SUS) acolhe as mulheres que usam anticoncepcional e não conseguem parar de fumar. O pneumologista Ricardo Meirelles conta que existem mais de 3 mil Unidades Básicas de Saúde que oferecem tratamento de graça para quem quer interromper o vício. "Tabagismo é uma doença e existe um tratamento. Esse tratamento já está colocado na rede SUS há mais de dez anos. Então, existem várias unidades de saúde pública no seu município que têm profissionais capacitados a prestar o tratamento do tabagismo, através de orientações, de tratamento individual em grupos de apoio com tratamento específico e com medicamentos que vão diminuir os sintomas da falta de nicotina no cérebro e ainda por meio de medicamentos que fazem com que o fumante entenda como parar de fumar, como resistir à vontade de fumar e principalmente, como viver sem cigarro."
O trabalho de controle do tabagismo do Brasil recebeu reconhecimento internacional. O prêmio que atesta a eficiência no Controle Global do Tabaco foi entregue nesta semana durante a 16ª Conferência Mundial sobre Tabaco ou Saúde, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos.


