Uso da vacina contra gripe dobra
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quinta-feira, 23 de abril de 1998
Anna Camanducaia 
A procura pela vacina contra a gripe dobrou este ano em Curitiba. A Casa de Saúde Paciornik aplica hoje uma média de 40 vacinas por dia, e o Laboratório Frischmann Aisengart, 50. A vacina é importada da França e da Bélgica, e o preço ainda é alto: R$ 35,00 no Paciornik e R$ 40,00 no Aisengart.
O fato de o vírus da gripe ser mutante faz com que muitos pensem que a vacina não é eficiente. A divulgação está mudando este quadro. O diretor da Casa de Saúde Paciornik, Moysés Paciornik, diz que a vacina tem 80% de eficácia porque é feita a partir dos vírus predominantes em todo o mundo, a cada ano.
A vacina é recomendada a partir dos seis meses de vida. Segundo o infectologista Nélson Szpeiter, do Aisengart, a vacina tem melhores resultados entre a faixa etária de 20 a 40 anos.
Szpeiter lembra que as pessoas vacinadas contra a gripe podem ter resfriados, que se caracterizam por febre baixa (em média 37 graus), mal estar passageiro e corrimento nasal, que duram um ou dois dias. A gripe ocorre quando há febre de 39 graus, dores nos músculos, fraqueza, corisa, olhos vermelhos e rinite, num período de até sete dias.
A vacina pode ser aplicada de maneira intramuscular ou subcutânea. O melhor período para tomar a vacina é no outono, porque os anticorpos demoram 14 dias para se formar depois da vacinação. Depois de 60 dias, os anticorpos atingem seu nível máximo. Quem toma a vacina, fica imunizado por um ano.
Este é a segunda vez que o perito judicial André Luiz Pereira, de 26 anos, toma a vacina. Pereira costumava ter até seis gripes fortes por ano. A estudante Áurea Camporez, de 33 anos, e o marido, o médico Aloísio Camporez, de 34, mudaram-se para Curitiba em janeiro e estão com medo da gripe. Morávamos em Vitória, um lugar muito quente, e aqui é muito frio. Por isso, achamos melhor nos prevenir, diz Áurea.
áAlgumas empresas de Curitiba estão vacinando seus funcionários. Só neste ano, o Laboratório Aisengart vacinou 2.500 pessoas em empresas. A Caixa Econômica Federal reembolsará, até a metade do ano, os funcionários que quiserem se vacinar.
Hoje os planos de saúde não cobrem a vacina contra a gripe. O consultor de marketing da Unimed, Dorival Vianna, diz que a empresa quer incluir a vacina em seu plano, em 1999. Segundo ele, a Unimed de Curitiba não fez isso este ano porque os laboratórios já não tinham quantidade suficiente de vacina e estavam cobrando R$ 11,00 pela dose - preço considerado alto pela empresa.


