''Uso arma desde os 16 anos e estou pronto para reagir''
Uso arma desde
os 16 anos e estou
pronto para reagir
O motorista de ônibus N.O.C., 38 anos, está atemorizado com a onda de assaltos sofrida pelos colegas. Apesar de nunca ter sido assaltado, C. anda com um revólver calibre 38 na cintura quando está dirigindo. Uso arma desde os 16 anos, tenho porte legal e sei atirar. Estou pronto para reagir.
Habituado a sair de casa de madrugada e muitas vezes retornar depois da meia-noite, o motorista, que mora em um bairro afastado, diz que se sente mais seguro com o revólver. Se tivesse mais policiamento acho que nem usaria, pondera. C. trabalha há 14 anos no transporte coletivo e acha que a cidade nunca esteve tão violenta. Viramos alvos de viciados que roubam para se drogar, diz. O motorista concordou em dar a seguinte entrevista no anonimato.
Folha Por que o senhor decidiu trabalhar armado?
N.O.C. Vi que meus colegas estavam se protegendo usando armas. Resolvi fazer o mesmo porque não quero ser humilhado por um moleque vagabundo só porque ele tem um 38 na mão. A arma impõe respeito, eles acabam afinando.
Folha Se fosse assaltado em uma viagem, o senhor reagiria?
N.O.C. Uma vez um colega me contou que durante o assalto, um dos pivetes dava tapas na sua cabeça e xingava ele o tempo todo. Eu não aguentaria este tipo de coisa. Atirava mesmo, é legítima defesa.
Folha O que o senhor acha da idéia de se criar uma lei autorizando os motoristas a trabalhar armado?
N.O.C. Acho boa, mas não vai mudar nada. Não vai garantir a vida de ninguém. Meus colegas já usam mesmo. Tem que mudar é o policiamento.
Folha Como a polícia resolveria o problema?
N.O.C. A única maneira é colocar a PM e a Guarda Municipal dentro dos ônibus. Não digo somente pela gente, mas também pelos passageiros, que podem morrer com uma bala perdida.





