Usina provocou o desastre ecológico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Vânia Moreira Umuarama 
Ricardo Costa/Umuarama IlustradoFauna dizimadaFotos feitas ontem de manhã mostram peixes mortos; cerca de 250 mil litros de melaço foram lançados diretamente no rio com o rompimento do tanqueO rompimento de um tanque de melaço da Usina de Álcool e Açucar Coopernavi, de Naviraí (MS), domingo à noite, foi o que causou a morte de milhares de peixes no Rio Amambai, um dos principais afluentes do Rio Paraná, divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul. Um tanque de chapas de aço com pelo menos 250 mil litros de melaço se rompeu e lançou todo o material no Rio Amambai, matando grande quantidade de peixes numa extensão de aproximadamente 50 quilômetros do Amambai, de Naviraí até a foz do rio no Arquipélago de Ilha Grande.
Ontem, a promotora de Naviraí, Luciana Moreira de Almeida, instaurou inquérito civil público para apurar a responsabilidade da empresa no acidente. A Superintendência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) de Mato Grosso do Sul autuou e multou a empresa em R$ 77,6 mil. Segundo o agente do Ibama em Dourados (MS), Donizete dos Santos, se houver risco de novos derramamentos a usina será interdidata. O tanque que se rompeu tinha capacidade para 750 mil litros, mas a empresa alega que estava com apenas 250 mil litros armazenados. A causa do rompimento ainda não foi apurada.
Segundo os ambientalistas, é o pior acidente ecológico desse tipo registrado no País nos últimos 15 anos. Estima-se que morreram mais de 300 toneladas de peixes de todas as espécies. O chefe do Instituto Ambiental do Paraná, o engenheiro químico Clori Pontelo, acredita que a fauna do rio foi totalmente dizimada no trecho onde caiu o melaço até a foz. Segundo Pontelo, em contato com a água o melaço oxida e consume todo o oxigênio. Os peixes morreram asfixiados. Até espécies resistentes a baixas concentrações de oxigênio, como traíras e piranhas, não sobreviveram.
Ricardo Costa/Umuarama IlustradoImagem desoladoraJosé Campanholi, fiscal da Área de Proteção Ambiental de Vila Alta, nas margens do Rio Amambai; destilaria foi multada em R$ 77,6 mil
Técnicos do Ibama e do IAP encontraram peixes de todos os tamanhos e espécies, desde piaparas de apenas um centímetro a pintados de 15 quilos. Estão boiando no Amambai e no Paranazão milhares de pintados, cascudos, traíras, bagres, curimbas, enguias e outras espécies. Segundo Clori, grande parte dos peixes eram habitantes do Rio Paraná que nesta época do ano sobem os afluentes para a desova. O prejuízo é incalculável, afirmou.
A foz do Rio Amambai, perto do município paranaense de Icaraíma, integra área de proteção ambiental federal. O Parque Nacional de Ilha Grande, com 78 mil hectares espalhados por 300 ilhas e várzeas do Paranazão, foi criado semana passada. Ambientalistas dos municípios do Noroeste banhados pelo Rio Paraná estão inconformados com o desastre ecológico.


