Usina Mauá volta a ser alvo de protesto
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sábado, 09 de agosto de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Ambientalistas voltaram a protestar ontem de manhã no centro de Londrina contra a construção da Usina Hidrelétrica Mauá, no Rio Tibagi. O objetivo foi conscientizar a comunidade em geral sobre os riscos e os possíveis impactos ambientais causados pela obra. A concentração do grupo ocorreu em frente à sede da Copel, onde permaneceram por cerca de uma hora. Depois, em passeata, os manifestantes se dirigiram ao Calçadão. As obras da usina tiveram início recentemente, com a instalação da infra-estrutura que irá atender os trabalhadores.
A usina será construída entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira (Região Central) e, segundo informações da organização não-governamental (Ong) Meio Ambiente Equilibrado cerca de 90 quilômetros quadrados serão alagados, o que desalojaria 200 famílias e três aldeias indígenas. Além disso, na área há três lixões de municípios vizinhos, cemitérios e despejo de resíduos industriais. Cerca de 60% da água que abastece Londrina e Cambé é proveniente do Rio Tibagi.
A bióloga Sirlei Bennemann, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), estuda as espécies de peixes do rio há quase 20 anos. Segundo ela, o Tibagi tem a maior biodiversidade de fauna e flora do Estado com relação aos outros rios. São cerca de 500 espécies de aves; 150 de mamíferos, além dos peixes. A construção desta usina é o maior crime ambiental que o Paraná irá cometer. Pelo menos 70% das espécies de peixes irão desaparecer, e o pior é que muitas delas sequer foram catalogadas, informou.
Pelo menos 15 ações questionam na Justiça a legalidade da construção da usina. Ainda em tramitação em diferentes esferas do Judiciário, o processo mais adiantado aguarda julgamento de um recurso no Superior Tribunal de Justiça à decisão que liberou as obras. No entanto, não há prazo para que este recurso seja julgado. Segundo Sérgio Luiz Lamy, superintendente geral do Consórcio Energético Cruzeiro do Sul, responsável pela contrução da usina, todos os estudos foram aprovados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e cumpre os requisitos exigidos por lei.
Ele acrescenta que a Empresa Energética, ligada ao Ministério das Minas e Energia, está fazendo uma avaliação integrada da bacia do Tibagi, que deverá ser finalizada no início do próximo ano. Qualquer afirmação de desaparecimentos de espécies, neste momento, não é baseada em estudos, salientou. A usina terá capacidade de produção energética de 361 megawatts, o suficiente para o consumo de uma cidade com 1 milhão de habitantes. Se a usina Mauá não for construída poderemos enfrentar falta de energia elétrica em dois ou três anos e teremos que operar usinas térmicas, argumentou. Neste último caso, os problemas seriam o custo maior da energia elétrica aos consumidores, cerca de cinco vezes mais, e a poluição gerada pelas térmicas.


