BOA ESPERANÇA DO IGUAÇU - O reservatório da Hidrelétrica de Salto Caxias, que elevará as águas do Rio Iguaçu ao longo de 92 quilômetros, vai encobrir inteiramente a casa de máquinas da usina Júlio de Mesquita Filho, na confluência do Rio Chopim com o Iguaçu. A Copel estuda a criação de um horto florestal na área, com finalidade preservacionista, servindo também como atrativo à visitação, para lazer e atividades ambientais educativas. Outro horto pode ser criado na própria área da usina em construção.
A barragem de Salto Caxias será fechada no final de 1998 para a formação do reservatório, com 141 quilômetros quadrados, dos quais 109 quilômetros de terras e o restante no próprio leito do Iguaçu. O reservatório alimentará turbinas que gerarão 1.240 megawatts/hora. Para sua formação serão encobertas terras ocupadas principalmente por pequenos agricultores, que serão reassentados nos próximos meses em municípios do Oeste e Sudoeste.
A usina Júlio de Mesquita Filho, nome em homenagem ao diretor do jornal ‘‘O Estado de São Paulo’’, morto em 1969, foi inaugurada em 1970, e está localizada a 84 quilômetros acima de Salto Caxias, no município de Boa Esperança do Iguaçu (Sudoeste do Estado). A casa de máquinas ficará submersa seis metros. Para preservá-la e os 44 megawatts que produz, Caxias teria que utilizar reservatório menor, consequentemente reduzindo sua própria potência, o que seria economicamente impraticável.
O estudo para a implantação do horto florestal foi elaborado por Ricardo Iantes, do Departamento de Projetos e Novos Empreendimentos da Superintendência de Obras de Geração da Copel, com a participação de outros técnicos. A proposta é de que o horto seja acompanhado ‘‘de um amplo projeto paisagístico e inserido no contexto ambiental da região, observando os próprios aspectos culturais da população vizinha’’, basicamente gaúchos e catarinenses.
Além de preservar espécies vegetais já existentes, a proposta é de que sejam acrescentadas outras de apelo visual, rápido crescimento e fácil manutenção como palmeiras, ipê-roxo, ipê-amarelo e quaresmeira, além de gramíneas e arbustos.
Outro componente do projeto é um museu, que deve reunir inclusive elementos indígenas. A região foi ocupada por grupos humanos talvez há 8 mil anos. Equipe da Universidade Federal do Paraná está pesquisando 56 sítios arqueológicos encontrados. Segundo a arqueóloga Cláudia Parellada, um sítio em Boa Esperança do Iguaçu ‘‘é o mais importante em todo o Sul do País em termos de gravuras rupestres feitas em rochas’’.
Foram identificadas 250 gravações com motivos geométricos, a maior parte círculos com pontos ao centro, ainda não decifrados. A recuperação da história e a valorização dos recursos naturais ao longo da faixa dos alagamentos do Rio Iguaçu estão entre as motivações principais para o projeto do horto florestal, que tem custo estimado em R$ 340 mil.

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