Cerca de 70 cortadores de cana participaram ontem de uma manifestação em frente da Usina Central do Paraná, em Porecatu (85 km ao Norte de Londrina). Eles reinvindicam que a usina faça o acerto, de uma única vez, com todos os que foram demitidos em dezembro passado. A decisão da empresa é de acertar o valor de R$ 1.000,00 por dia, o que, segundo os demitidos, daria para apenas dois funcionários diariamente. A demissão, segundo os trabalhadores, teria ocorrido por causa de um protesto que eles organizaram no final do ano passado, porque os salários estavam dois meses atrasados.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bela Vista do Paraíso, Arnaldo do Nascimento Jesus, concorda com os demitidos. ‘‘Foi muita coincidência acabar a safra e justamente as pessoas que fizeram o protesto serem dispensadas’’, afirmou.
Os cortadores de cana, que trabalhavam para a usina há seis meses, chegaram a recorrer ao Ministério do Trabalho em seguida à demissão, onde tiveram a garantia de que os acertos seriam iniciados ontem. ‘‘Mas a proposta da usina é de acertar R$ 1.000,00 por dia, que mal cobre o acerto para duas pessoas. Assim seria um acerto muito demorado e por isso não aceitamos’’, disse o cortador de cana Vagner Aparecido Camargo.
Ontem mesmo, a usina apresentou uma contra-proposta e houve um acordo com os manifestantes. O acerto total será no próximo dia 20. ‘‘Todo o acordo feito junto ao Ministério do Trabalho será cumprido. Pedimos paciência ao grupo’’, disse um dos diretores da usina. Ele não permitiu ser identificado, mas garantiu que a demissão coletiva não foi em função do protesto realizado em dezembro e, sim, pelo fim da safra de cana. A Usina Central do Paraná está estabelecida em Porecatu desde 1946 e tem capacidade de produção de quatro milhões de sacas de açúcar e 50 milhões de litros de álcool por ano. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bela Vista do Paraíso, o acerto foi marcado para dia 20, às 15 horas, em Primeiro de Maio.

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