Usina é investigada por denúncias trabalhistas
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terça-feira, 23 de outubro de 2001
Maranúbia Barbosa<br> De Londrina 
Representantes da Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região, acompanhados de fiscais da Delegacia Regional de Londrina, estão averiguando irregularidades trabalhistas na Usina Central do Paraná, produtora de açúcar e álcool em Porecatu (85 km ao norte de Londrina). Os procuradores Ricardo Bruel da Silveira e Nelson Colato chegaram ontem na cidade e foram direto para fazendas da empresa conversar com os funcionários, a fim de apurar denúncias feitas pelos Sindicatos Rurais de 15 cidades da região norte do Estado.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Astorga (80 km a oeste de Londrina), Claudinei de Carli, que esteve reunido com os procuradores, a usina desconta da folha de pagamento dos funcionários que residem em casas pertencentes à empresa a tarifa de energia elétrica, mas não repassa os valores à Copel. O sindicalista afirmou que muitos funcionários têm a energia cortada por falta de pagamento. Outras irregularidades, segundo o sindicato, são as rescisões de contrato, pagas sem critério legal, a falta de um piso salarial e o não recolhimento do FGTS. A usina também é acusada de descontar do salário dos empregados o INSS e a contribuição sindical e não repassar às entidades.
Conforme Carli, a usina nunca cumpriu o acordo de concilação feito com a Procuradoria no final de janeiro deste ano, depois de 20 dias de greve. Cerca de 60% dos funcionários que atuam nas lavouras de cana-de-açúcar, segundo ele, ganham menos de R$ 5,00 por dia. ''Tem gente que recebe R$ 1,50.'' A remuneração por produção, na opinião dele, não garante um salário digno para os funcionários que não conseguem um desempenho. Carli informou ainda que a empresa fornece apenas uma luva de mão esquerda e um facão por safra. O fim do turno cinco por um, em que o dia de descanso raramente recai no domingo é reivindicado pelos trabalhadores. Segundo os sindicatos, a usina demite o empregado que se recusa a trabalhar no domingo. Além disso, as horas gastas pelos funcionários para chegar até ao local de trabalho não são remuneradas.
Os procuradores irão fiscalizar as condições de trabalho na usina durante toda a semana. As irregularidades detectadas serão relatadas à procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho, Marisa Tiemann.


