O tesoureiro afastado da Usina Central Paraná, em Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina), Gevaldo Ramos dos Santos, é acusado de sacar dinheiro de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de ex-funcionário, sem autorização. Santos, afastado do cargo há dois anos, segundo ele, por motivo de saúde, é suspeito de ter retirado o FGTS da conta de José Aparecido da Silva, ex-funcionário da usina, usando uma procuração indevida. O saque teria sido feito em 1988, mas só foi descoberto há dois meses. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar a denúncia e o processo está tramitando no Fórum de Porecatu.
Silva, que trabalhou na usina por 10 anos como eletricista, e não quer aparecer porque teme retaliação, teria solicitado ao cunhado, Neldo Machado Goes, residente em Porecatu, que verificasse o extrato da conta de FGTS, aberta em uma agência do Banestado da cidade. Segundo Goes, o saque foi constatado através de extrato bancário. O banco apresentou a Goes uma autorização para movimentação bancária de conta vinculada, assinada pelo tesoureiro, que teria retirado o dinheiro. ‘‘Se fosse feita a conversão pelo índice da caderneta de poupança, hoje daria cerca de R$ 25 mil’’, garantiu Goes. Na autorização apresentada pelo banco consta a inicial J.A.S., que pode ser José Aparecido da Silva.
Goes afirmou que o cunhado não tem conhecimento de ter assinado nenhum tipo de procuração. ‘‘Procurei o Gevaldo depois que a assinatura dele foi reconhecida em cartório. Ele admitiu que sacou o dinheiro e me pediu para que não divulgasse o caso, pois devolveria o valor em quatro dias’’, relatou Goes, que comunicou o caso ao cunhado, dono da conta do FGTS. De acordo com Goes, o tesoureiro afastado teria lhe confessado que a retirada de FGTS era procedimento comum na empresa. ‘‘Não dá para saber se ele (Santos) é responsável, ou se a culpa é da diretoria da usina’’, comentou. Ele acredita que os donos da usina podem não ter conhecimento desse tipo de fraude.
Silva, ao saber que seu FGTS não foi ressarcido, registrou queixa na polícia. Segundo o escrivão da Polícia Civil de Porecatu, Estênio Antonio Homem, o inquérito número 109/2000, que investiga o crime de estelionato, está agora no Fórum local. O escrivão afirmou que Santos esteve na delegacia no final de novembro do ano passado e prestou depoimento ao delegado Fátimo Siqueira.
O advogado contratado por Silva, Lanerelton Teodoro Moreira, de Porecatu, não quis comentar o assunto e nem apresentar cópia do depoimento de Ramos. ‘‘Conheço o teor, mas prefiro não falar. Cabe ao inquérito descobrir o que aconteceu ao FGTS (do cliente)’’, disse o advogado.
Goes, cunhado do autor da denúncia, afirmou que a hegemonia da usina na cidade não tem precedentes no Brasil. Segundo ele, a política local sempre foi comandada por pessoas escolhidas pela empresa. ‘‘O voto de cabresto, até bem pouco tempo, era comum’’, assegurou. ‘‘Concordo quando dizem que Porecatu não é Brasil. O domínio da usina sobre a cidade é assustador’’, completou. A família de Goes reside atualmente em Rolândia, 25 quilômetros a oeste de Londrina.

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