Érika Pelegrino
De Londrina
Anualmente morrem 150 mil brasileiras vítimas de aborto clandestino; metade delas são adolescentes com idades entre 10 e 19 anos, segundo estudos do Conselho Nacional de Direitos da Mulher do Ministério da Justiça. A maioria desse universo é de meninas que não recebem apoio da família e do companheiro e acabam recorrendo ao aborto para se livrar de uma gravidez precoce e indesejada. Os dados foram apresentados ontem em Londrina durante o lançamento do piloto da Usinação – um projeto de cunho social a ser implantado em todas as Usinas do Conhecimento do Estado a partir de março do ano que vem.
A gravidez na adolescência é uma questão delicada e grave e, por esse motivo, foi escolhida como tema do projeto-piloto. Toda segunda sexta-feira de cada mês, segundo o coordenador da Usina do Conhecimento de Londrina, George Baum, serão ministradas palestras, realizadas exposições e atividades sobre temas escolhidos pela comunidade. A princípio, o público alvo são os 5 mil alunos das proximidades do Conjunto Parigot de Souza (zona norte de Londrina). ‘‘Mas o objetivo é abrirmos para toda a região norte, que conta com 15 mil estudantes’’, explicou o coordenador.
Ontem, mais de 500 alunos com idades entre 12 e 15 anos participaram de palestras e atividades relacionadas ao assunto ‘‘Métodos Anticoncepcionais: Conhecer é Prevenir’’. Estiveram envolvidos no trabalho profissionais da área de saúde – psicóloga, enfermeira, auxiliares de enfermagem –, além de profissionais ligados à recreação.
Psicólogas e enfermeiras trataram o tema com o objetivo de levar o adolescente a conhecer seu próprio corpo, saber o que acontece com ele durante a relação sexual, como utilizar os métodos contraceptivos corretamente para evitar uma gravidez indesejada; além da utilização de preservativos para prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e Aids.
Os profissionais também procuraram orientar as adolescentes, principalmente, no sentido de enfrentar a situação no caso de uma gravidez, já que é comum nestes casos as meninas demorarem demais até procurar um médico e contar para os pais. A orientação era para que o posto de saúde fosse procurado logo no primeiro mês que a menina não menstruasse. ‘‘Não veio nenhuma gota de menstruação, a primeira coisa a fazer é procurar o posto de saúde’’, orientou a enfermeira Anna Elizabeth Alves Pereira, que trabalha no posto de saúde do Parigot de Souza.
Segundo ela, a maioria das meninas na faixa etária de 12 a 15 anos já manteve relação sexual ou tem contatos muito íntimos. ‘‘Percebemos isso pelo nível das perguntas que fazem’’, revelou. Por isso, a necessidade de que as adolescentes estejam conscientes dos riscos – anemia, hipertensão, infecções, urinárias, e até mesmo morte (ver quadro nesta página) – de uma gravidez precoce.
A complexidade do tema gravidez na adolescência fará com que o assunto seja discutido também nas próximas etapas dos projeto Usinação. As Usinas do Conhecimento estão implantadas em Londrina, Guarapuava, Ponta Grossa, Maringá, Toledo, Santa Helena e São José dos Pinhais.

GRAVIDEZ PRECOCE
NO BRASIL
- O Brasil é o 8º país do mundo em morte de meninas por parto
- 56 meninas de 10 a 14 anos morrem em cada mil partos
- A gravidez é a quarta causa de morte em adolescente
- Em cada 100 abortos, 25 são em adolescentes – uma projeção já que o aborto é clandestino
Fonte: Ministério da Saúde
EM LONDRINA
- 21% dos partos são de mães crianças e adolescentes
Fonte: Secretaria Especial da Mulher
NO MUNDO
- Anualmente 15 milhões de mulheres com idades entre 15 e 19 anos dão à luz
Fonte: Rede Mundial de Mulheres para os Direitos Reprodutivos

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