Usina de reciclagem pode não sair do papel
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 1997
Londrina 
A usina de reciclagem de lixo, que foi adquirida no ano passado - pela adminstração Luiz Eduardo Cheida (PT) - e chegou a ser saudada como a grande solução para o lixo de Londrina, pode não sair do papel. O secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, considera que o contrato com a empresa Iguaçumec, da qual a Prefeitura comprou a usina (e pagou dois terços) está reincindido.
Ferreira explica que a empresa tinha um prazo para entregar o produto - que não foi cumprido. Por isso já redigiu uma notificação pedindo todo o dinheiro de volta, com juros e correção monetária. Se eles não pagarem, vamos fazer a rescisão judicialmente, assegura.
O valor total do equipamento era de aproximadamente R$ 1,2 milhões. A usina funcionaria, basicamente, com uma grande esteira onde funcionários separariam manualmente vidro, plástico, metal e papel. Isso tudo seria vendido posteriormente, gerando receita para ajudar nos custos de operação. Além disto, uma parte do material orgânico viraria adubo - também comercializado - e a outra teria que ser aterrada.
Mas para o presidente da AMA, Nelson Kohatsu, a tese de que a usina seria a solução ideal para o lixo é discutível: Ela produz um composto orgânico (adubo) de baixa categoria e teríamos, em contrapartida, um custo muito maior de operação, explica. A baixa qualidade no material orgânico acontece, entre outros motivos, porque o lixo doméstico recolhido em Londrina já é compactado na coleta, dentro do caminhão, e a separação depois disso se torna muito mais complicada. Sem contar que papel, vidro, metal, enfim, tudo o que é recolhido chegaria à usina triturado e com poucas possibilidades comerciais.
As indústrias até compram o material, mas dependendo da qualidade você tem um preço muito menor, aponta o presidente da AMA. Para contornar o problema, o melhor caminho seria mesmo a coleta seletiva, que daria melhor qualidade no material coletado. Mas para isso seria necessário, hoje, mudar todo o sistema de coleta implantado na Cidade, o que não pode ser feito de uma hora para outra. Em termos genéricos a proposta da usina é interessante. Mas ela tem que estar integrada num plano de desenvolvimento da Cidade, concorda Fernando Fernandes, professor da UEL.
Nelson Kohatsu, no entanto, não descarta completamente a opção pela usina de reciclagem. Mas ele quer primeiro viabilizar a área do novo aterro e depois estudar a viabilidade da implantação. Ele não descarta, por exemplo, terceirizar o serviço, deixando para a iniciativa privada o tratamento do lixo, como é feito hoje com a coleta.
(Lúcio Horta)


