Uma comissão de moradores da Usina Três Bocas se reuniu ontem à tarde com a promotora de Meio Ambiente, Solange Vicentin, para mais uma vez pedir providências em relação a uma usina de compostagem orgânica e animal, mantida na região pela empresa Humorgan. A principal reclamação dos moradores é o mau cheiro exalado e a suspeita de contaminação do Ribeirão Três Bocas, utilizado pela comunidade de horticultores para irrigação. Um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas foi entregue à promotora.
Segundo a representante do Conselho de Desenvolvimento Rural da região, Joelma Carvalho, a usina está instalada no local há 10 anos, mas a intensidade do cheiro vem aumentando. ''É possível constatar várias irregularidades, desde a forma como os resíduos são transportados, em caminhões abertos, até a falta de equipamentos de segurança como botas e luvas para os funcionários.''
De acordo com Joelma, a usina de compostagem recebe frequentemente resíduos de frigoríficos e de uma empresa que trabalha com desentupimento de esgotos. Os moradores também denunciam que quando chove, as lagoas de contenção de chorume transbordam, atingindo o Ribeirão. ''O absurdo é ainda maior porque estamos ao lado do Parque Ecológico Daisaku Ikeda.'' Joelma afirmou também que a empresa estaria operando sem alvará da prefeitura. ''O problema é que há várias irregularidades mas ninguém fiscaliza.''
A promotora Solange Vicentin informou que os procedimentos em relação à empresa estão em andamento desde junho do ano passado, e que vários órgãos, como Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vigilância Sanitária, Delegacia Regional do Trabalho (DRT), prefeitura e Instituto Ambiental do paraná (IAP) já foram oficiados. ''O IAP emitiu laudo informando que a empresa está trabalhando dentro das normas. Já a Vigilância constatou o mau cheiro e irregularidades quanto a normas de higiene e segurança dos trabalhadores. A DRT determinou uma série de adequações'', disse a promotora.
Solange confirmou que a empresa está com alvará de industrialização vencido desde 2003, e que já foi autuada por isso. ''A prefeitura só emitirá novo alvará mediante licença do IAP e vigilância sanitária e parecer favorável da Secretaria de Meio Ambiente.'' A promotora disse ter pedido à UEL uma análise sobre possíveis contaminações ambientais provocadas pela empresa, que não foram possíveis por falta de equipamentos adequados. ''Vou requerer uma nova análise, e se tiver a comprovação técnica de que a atividade é nociva ao meio ambiente e à saúde da população, vou tomar as medidas cabíveis.''
A Folha entrou em contato com a empresa Humorgan, mas um funcionário informou que o proprietário não se encontrava e que ele não poderia dar declarações.

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