Usina de biomassa já
produz em Sertãozinho
Contrariando a tendência nacional, está sendo desenvolvido um projeto para produção de energia elétrica a partir das sobras de uma usina de açúcar e álcool do interior de São Paulo. A Usina Santa Elisa, em Sertãozinho (SP), usa o bagaço de cana-de-açúcar para substituir combustíveis fósseis como petróleo e gás natural. A energia gerada pelos gases liberados na queima do bagaço produz atualmente 19 megawatts-hora. A empresa investiu US$ 10 milhões na planta de geração de energia própria, que tem capacidade de produção de até 29 megawatts-hora.
A Santa Elisa é a maior cogeradora de energia entre 13 usinas que têm contrato de concessão do estado de São Paulo. Ela consome 14 megawatts-hora e fornece outros 5 megawatts-hora para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). A energia total gerada pela usina seria suficiente para atender uma população de 200 mil pessoas. Com a energia elétrica fornecida diariamente à CPFL, é possível atender uma cidade do tamanho de Cornélio Procópio, Norte do Paraná.
Segundo relatório da empresa, o uso da biomassa como opção de combustível para geração de energia tem impacto praticamente nulo ao meio ambiente. No caso dos derivados de petróleo há emissão de gases de enxofre, óxido de nitrogênio e dióxido de carbono.
Além dos benefícios ambientais, a Santa Elisa consegue uma receita adicional de US$ 2 milhões a cada safra de cana com fornecimento de energia à CPFL. A usina projetou uma planta para até 130 megawatts-hora, com a utilização do bagaço. Isso seria suficiente para atender a demanda de duas cidades do tamanho de Ribeirão Preto (SP).
Paralelo à ampliação da planta de produção de energia, a usina está desenvolvendo tecnologias para aproveitamento de 50% da palha de cana nas caldeiras. A outra metade da palha deve continuar nas áreas de plantio para proteger o solo. ‘‘Dessa forma, cumpriremos mais uma atividade empresarial de cunho social ao evitar que a falta de energia limite o crescimento econômico do País’’, conclui o relatório.
Desde 1991, a Eletrobrás está desenvolvendo um projeto piloto de uma usina com capacidade para geração de 30 MW de energia elétrica com base na gaseificação da madeira. A entrada em operação dessa unidade está prevista para 2001. A segunda etapa do projeto será a obtenção de combustível da biomassa em quantidade e custos que permitam sua inclusão entre as alternativas energéticas para o nordeste do Brasil.

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