A Usina de Asfalto de Londrina pode fechar e o local ser transformado em um Centro de Recreação e Cultura da Zona Sul. Segundo o secretário de Obras, Aloysio Crescentini, a usina está velha e precisa de uma revitalização. Além disso, como ela foi construída em 1975, antes da região se tornar residencial, os vizinhos hoje se incomodam com a fumaça que solta. A secretaria decidiu que, em cerca de dois meses, vai comprar a massa asfáltica já pronta e utilizar os funcionários para realizar o serviço.
A objetividade em explicar os rumos da usina não encontra ressonância nas falas dos funcionários do setor de pavimentação, antigo Pavilon. Com 57 anos, 32 deles dedicados ao serviço de abrir, asfaltar e dirigir entre ruas e ruas de Londrina, o motorista Luiz Carlos Martins se incomoda ao pensar no assunto. Lembrar da sua trajetória o deixa de olhos marejados. ''Eu entrei como braçal, depois fui mexer com as máquinas e há 24 anos sou motorista. Me lembro de muita coisa aqui. Lembro de quando fomos abrir a avenida do Estádio do Café, esparramava tudo na pá. Era tudo braçal mesmo''.
Casado e pai de quatro filhos, conta que as crianças cresceram por entre as areias usadas para fazer asfalto e as árvores do pátio da usina. ''Antigamente a gente trabalhava mais. Às vezes, ficava até de noite. E eu vou te falar, se precisasse eu ficaria até hoje, porque a gente está envelhecendo, mas tem muitos de nós que dão conta do serviço melhor que muito menino novo''.
No Pavilon trabalham 45 homens, sendo que o mais velho tem 68 anos e o mais jovem, 29. De acordo com o gerente do setor, Arnaldo Freitas, 55 anos, 31 deles no Pavilon, tanto a usina de asfalto quanto a equipe ainda dão conta do serviço. ''É claro que precisa de algum investimento e de alguns funcionários, mas ainda damos conta do trabalho. Isso aqui é a vida de muita gente, então todos trabalham com dedicação e fazem um bom serviço''.
Ele também parece incomodado com a idéia de terceirização. ''Não sei se precisa abrir mão de tudo o que já temos aqui. O asfalto produzido é bom, precisava apenas de alguns ajustes na estrutura''. Muito ligado ao próprio trabalho, sua história às vezes se confunde com a da pavimentação de Londrina. ''Sei todas as ruas do município. Se quiser eu te faço um mapa da cidade. Pode perguntar, que rua você quer saber onde fica?'', propõe.
Tantos anos de trabalho também renderam muitas histórias curiosas. Uma delas é a do parto do próprio filho, hoje com 29 anos, que quase nasceu no caminhão de carregar asfalto. ''Eu estava de serviço quando minha esposa ligou avisando que a bolsa tinha rompido. Naquela época não tinha Samu, nem nada. Do jeito que estava no caminhão, eu fui buscá-la e correr para o hospital'', ri, segurando a emoção.
O pai de Devanir Ribeiro da Silva, 33 anos, o motorista João Ribeiro da Silva, 58 anos, também coleciona relatos e segura as lágrimas ao lembrar deles. Os dois trabalham na setor de pavimentação. O rapaz é asfaltador e não economiza nas palavras - apesar da ligeira timidez - ao lembrar da infância. ''Cresci nesses areiões e subia nas árvores. Quando cheguei na idade de trabalhar, entrei como temporário e depois passei no concurso.'' O pai lembra que foi o primeiro trabalhador a retirar a primeira draga de barro que abriu a Via Expressa de Londrina. ''Fiz as estradas do Distrito de São Luiz, do Patrimônio Regina, ajudei na Leste-Oeste. Tudo eu participei''.
Questionado sobre o que faria se pudesse decidir sobre os rumos da usina de asfalto e do serviço de pavimentação na cidade, timidamente afirma que, se necessário, mudaria a usina de lugar e faria algumas contratações. Talvez pela energia própria da idade, o filho é mais enfático: ''Estou aqui há 14 anos e só venho vendo a usina perder força. Precisamos de mais investimentos, esse asfalto é de qualidade. Podemos fazer e gostamos desse serviço. O meu pai antes ficava até tarde da noite aqui e tenho certeza que não se arrepende. É uma parte da nossa vida''.

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