Usina começa a negociar com grevistas
Alexandre Sanches
De Londrina
A Usina Central do Paraná, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), marcou para hoje, com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina, uma rodada de negociação para tentar acabar com a greve do setor de transporte da empresa, iniciada sábado. A reunião está marcada para as 8h30 no prédio do antigo seminário, no centro da cidade.
O presidente do sindicato, Ivanildo Pinto Rodrigues, disse que os trabalhadores em greve rodoviários, setor mecanizado e os terceirizados estão montando uma comissão para participar da reunião. Como estamos com duas pautas de negociação em atraso, vamos tentar fechar o pagamento dos salários atrasados e mais alguns benefícios. Queremos todo o pacote. Não sei qual o interesse da empresa, mas não vamos deixar passar esta oportunidade, comentou.
Os cerca de 800 funcionários do setor de transporte paralisaram as atividades sábado, bloqueando as entradas da Usina Central com caminhões, em protesto pelos salários atrasados. A maioria está sem receber os meses de maio e julho junho a empresa pagou. Mas há setores que não receberam o mês de abril. Entre os trabalhadores terceirizados, há casos de atraso no pagamento desde setembro do ano passado. De acordo com os grevistas, a revolta foi pela empresa ter pago, na sexta-feira, um dos salários atrasados dos cortadores de cana-de-açúcar.
Os constantes atrasos nos pagamentos pela Usina, que emprega cerca de sete mil pessoas, estão refletindo diretamente no comércio local e de municípios vizinhos. Trabalhadores que compravam fiado nos supermercados e lojas, estão sem crédito. Hoje a gente só pode comprar se tiver dinheiro vivo ou se pagar com cheques de terceiros, desde que não seja de pessoa vinculada à usina, comentou um grevista que preferiu não ser identificado.
Ontem, os grevistas endureceram os piquetes, evitando a entrada de qualquer funcionário da parte administrativa na usina. De acordo com o comando de greve, poucas pessoas conseguiram entrar nos escritórios. A situação está ficando insustentável. A cada dia que passa se cria um clima de tensão mais forte, ressaltou Ivanildo Rodrigues.
Ontem os grevistas continuaram a campanha para arrecadar alimentos e produtos de limpeza para doar às famílias que não têm mais nada em casa. A Folha tentou falar com um dos sócios da Usina Central, Jorge Hudnei Athala, em Jaú (SP), mas no escritório não souberam informar onde ele estaria. Em Porecatu, o comentário era que ele estaria vindo à cidade para assumir as negociações com os grevistas.Sindicato do setor de transportes tem reunião hoje com a direção da empresa; crise afeta comércio da microrregião
Josoé de CarvalhoPRODUÇÃO PARADAA paralisação começou sábado; ontem, caminhões carregados permaneciam parados, e piquete impediu entrada de funcionários





