Usina Central faz proposta aos grevistas
Alexandre Sanches
De Londrina
Os funcionários do setor de transportes da Usina Central de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), em greve desde sábado, estiveram reunidos ontem à noite em assembléia, avaliando a proposta da empresa para que a categoria retorne imediatamente aos trabalhos. Durante todo o dia, diretores da usina de açúcar e álcool e diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina estiveram negociando as reivindicações da categoria.
A empresa se comprometeu a pagar ainda hoje, caso voltem ao trabalho, o mês de julho para todos os trabalhadores, e o salário de abril para os 700 empregados que ainda não receberam. Já os salários de maio serão pagos no dia 17 de setembro e o de agosto, no dia 30 de setembro. O pagamento de junho já foi realizado para todos os trabalhadores. A negociação inclui também os motoristas terceirizados.
O secretário do sindicato, José Aparecido Faleiros, disse que outros itens da pauta, como horas extras, troca de turno, horas de trabalho, trabalho remunerado em feriados e finais de semana, serão discutidos numa próxima rodada de negociação. Eu acredito que a greve vai acabar, pois pagando os salários e com data prevista para os outros atrasados, a categoria não vai recusar esta proposta. Se eles receberem amanhã (hoje), já solucionam parte dos seus problemas, salientou Faleiros, antes da assembléia.
Por causa da greve, a Usina Central parou toda a produção de açúcar e álcool e os setores de corte de cana, industrialização, caldeiras e até mesmo a administração. Muitos caminhoneiros, que buscavam açúcar produzido e já comercializado pela usina, foram impedidos pelos grevistas de entrar na empresa.
A crise alegada pela usina afetou também o comércio local, que cortou o crédito de funcionários da Central. Além de Porecatu, pelo menos 11 municípios vizinhos dependem economicamente, mesmo que indiretamente, do setor canavieiro. A Usina Central do Paraná emprega cerca de sete mil funcionários.





