A Toxina Botulínica Tipo A (TBA), mais conhecida como botox, pode ser um poderoso aliado no tratamento da Síndrome da Bexiga Hiperativa, que causa a contração involuntária do músculo do órgão e leva à vontade incontrolável de urinar. A substância, que tornou-se popular nas clínicas de estética, já vinha sendo usada em algumas áreas da medicina, como oftalmologia e na reabilitação de pacientes neurológicos.
Ontem foi realizado o primeiro treinamento de médicos londrinenses para o uso da toxina em casos de bexiga hiperativa. A novidade foi trazida pelo coordenador do Ambulatório de Disfunções Miccionais da Santa Casa de Porto Alegre (RS), o urologista Alexandre Fornari, que fez apresentações teórica e prática sobre o uso da TBA. A primeira paciente londrinense a testar a terapia foi uma mulher de 39 anos, que sofreu lesão medular devido a um acidente de moto e há 8 anos sofre com a síndrome da bexiga hiperativa neurogênica (quando é decorrente de doença neurológica ou traumatismo raquimedular).
Segundo o urologista londrinense Carlos Augusto Costa Branco, que atende a paciente, o uso do botox é indicado para o caso porque a resposta aos medicamentos não tem sido satisfatória. ‘‘A toxina tem indicações específicas, como por exemplo nos casos em que os pacientes não aderem mais ao tratamento, pelos efeitos colaterais dos remédios, ou quando o organismo torna-se refratário (não responde mais) ao tratamento’’, esclarece o médico. O uso do botox para a urologia no Brasil tem pouco mais de um ano – a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso no início de 2009.
De acordo com Alexandre Fornari, a aplicação é feita diretamente na musculatura da bexiga, em centro cirúrgico ou ambulatório, com anestesia local e sedação do paciente, que normalmente recebe alta no mesmo dia. Os efeitos começam a ser sentidos de sete a dez dias após a aplicação e têm duração de aproximadamente um ano. Fornari esclarece que o custo do tratamento é relativamente alto – cada frasco de TBA custa em média R$ 1 mil –, mas compensa se forem levados em conta os gastos com fraldas descartáveis e tratamentos das constantes infecções urinárias. ‘‘Sem falar na melhora significativa em termos de qualidade de vida, que não tem preço’’, argumenta.
O custo do tratamento varia conforme o caso, pois pode ser necessário o uso de mais de um frasco da toxina, além das taxas cobradas pelos serviços médicos e uso do centro cirúrgico. ‘‘A maioria dos convênios ainda não cobre o tratamento. Nossa intenção é que a terapia entre na lista de procedimentos da Anvisa para que os planos de saúde passem a custeá-la. Acredito que é só uma questão de tempo’’, diz Fornari.
O médico explica que de 15% a 18% da população tem bexiga hiperativa por causas como traumas, envelhecimento, diabetes e outras doenças crônicas. Há ainda os casos de origem neurológica, como traumatismo medular, Alzhaimer, Mal de Parkinson e esclerose múltipla.

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