Urologia também adere ao uso do botox
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sábado, 24 de abril de 2010
Silvana Leão<br>Reportagem local 
A Toxina Botulínica Tipo A (TBA), mais conhecida como botox, pode ser um poderoso aliado no tratamento da Síndrome da Bexiga Hiperativa, que causa a contração involuntária do músculo do órgão e leva à vontade incontrolável de urinar. A substância, que tornou-se popular nas clínicas de estética, já vinha sendo usada em algumas áreas da medicina, como oftalmologia e na reabilitação de pacientes neurológicos.
Ontem foi realizado o primeiro treinamento de médicos londrinenses para o uso da toxina em casos de bexiga hiperativa. A novidade foi trazida pelo coordenador do Ambulatório de Disfunções Miccionais da Santa Casa de Porto Alegre (RS), o urologista Alexandre Fornari, que fez apresentações teórica e prática sobre o uso da TBA. A primeira paciente londrinense a testar a terapia foi uma mulher de 39 anos, que sofreu lesão medular devido a um acidente de moto e há 8 anos sofre com a síndrome da bexiga hiperativa neurogênica (quando é decorrente de doença neurológica ou traumatismo raquimedular).
Segundo o urologista londrinense Carlos Augusto Costa Branco, que atende a paciente, o uso do botox é indicado para o caso porque a resposta aos medicamentos não tem sido satisfatória. A toxina tem indicações específicas, como por exemplo nos casos em que os pacientes não aderem mais ao tratamento, pelos efeitos colaterais dos remédios, ou quando o organismo torna-se refratário (não responde mais) ao tratamento, esclarece o médico. O uso do botox para a urologia no Brasil tem pouco mais de um ano a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso no início de 2009.
De acordo com Alexandre Fornari, a aplicação é feita diretamente na musculatura da bexiga, em centro cirúrgico ou ambulatório, com anestesia local e sedação do paciente, que normalmente recebe alta no mesmo dia. Os efeitos começam a ser sentidos de sete a dez dias após a aplicação e têm duração de aproximadamente um ano. Fornari esclarece que o custo do tratamento é relativamente alto cada frasco de TBA custa em média R$ 1 mil , mas compensa se forem levados em conta os gastos com fraldas descartáveis e tratamentos das constantes infecções urinárias. Sem falar na melhora significativa em termos de qualidade de vida, que não tem preço, argumenta.
O custo do tratamento varia conforme o caso, pois pode ser necessário o uso de mais de um frasco da toxina, além das taxas cobradas pelos serviços médicos e uso do centro cirúrgico. A maioria dos convênios ainda não cobre o tratamento. Nossa intenção é que a terapia entre na lista de procedimentos da Anvisa para que os planos de saúde passem a custeá-la. Acredito que é só uma questão de tempo, diz Fornari.
O médico explica que de 15% a 18% da população tem bexiga hiperativa por causas como traumas, envelhecimento, diabetes e outras doenças crônicas. Há ainda os casos de origem neurológica, como traumatismo medular, Alzhaimer, Mal de Parkinson e esclerose múltipla.


